Um primo meu fez aniversário esses dias, e, apesar de não ter contato com ele há anos, lembrei-me da data e resolvi dar parabéns via Facebook.

Então, descobri que este primo me excluiu da sua lista de amigos.

Não precisei de muito esforço para descobrir o motivo. Quer dizer, não descobri de fato, mas é muito provável que ele tenha pautado sua decisão no fato de que possuímos crenças religiosas diferentes.

Mas creio que essa seja a sabedoria divina operando, manja? Ceifando das vidas dos justos, como ele, todos os ímpios pecadores e blasfemadores, tipo eu.

E assim, nós dois seguimos nossas vidas com alegria. Ele, com seus estudos, sua boa índole e com seu Deus; eu, com meus deuses e deusas, meus questionamentos e com o capiroto.

k

umbigo_vitruviano

Sabe aquele buraquinho (ou bolinha, dependendo da pessoa) que fica bem no centro do seu corpo, na região abdominal?

A cicatriz do que um dia foi a mais linda cordinha, ligando você ao corpo da sua mamãe, e através da qual você pôde crescer forte e saudável até o dia em que veio conhecer o mundo aqui fora?

Sim, seu umbigo. Ou “imbigo”, como algumas pessoas falam.

A maioria das pessoas não liga muito para o próprio umbigo. É engraçado, porque tem gente que está sempre limpando seus ouvidos e narinas, porém nunca limpa seu outro orifício (o umbigo, assim espero. Não limpar o ânus já é falta de educação, né).

A gente se olha no espelho, fica reclamando da barriga saliente, com suas gordurinhas localizadas, um tempão analisando o abdômem… mas nem tchum pro umbigo.

Alguém aí pode argumentar: “Mas a gente não passa o dia olhando para o espelho. E nem olhando para baixo o tempo inteiro. Digo mais: tem gente que nem consegue ver o próprio umbigo, dependendo do tamanho do tecido adiposo localizado em cima dele!”

Realmente, isso é verdade. Porém, também não conseguimos ver nossos ouvidos e narinas sem ajuda do espelho, e isso não nos impede de darmos atenção a eles, de quando em quando.

Ou seja: não damos atenção para os nossos umbigos MESMO.

É mais fácil ver o umbigo dos outros.

Muito mais fácil do que enxergar o nosso.

Apontar para barriga alheia e notar que a pessoa tem uma hérnia no umbigo. Ou que é um puta de um buraco negro. Ou admirar aquele umbiguinho lindo e “bem feitinho”. Todos olhando – e julgando – o umbigo alheio.

Enquanto o seu está aí, sendo ignorado, negligenciado… e sendo julgado por montes de gente iguais a você.

Bora cuidar do próprio umbigo, galera.

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“em primeiro lugar,boa noite. eu estavo a cesando a internete.so gue guando eu estavo cesando a minha conta me pediu para estalar o moudo.depos de estalar o moudo o sate da internete naõ guis mais entrar.o gue eu posso fazer.obrigado…assi.carlos”

1. “internete”
Tipo Ivanete, Suzete, Elisabete, nome próprio.

2. “estavo”
“Estava” é feminino, “estavo” é masculino.

3. “cesando”
Algumas palavras do dialeto perderam-se no tempo, e seu significado permanece um mistério.

4. “gue, guando”
O “q” é uma letra sem graça, o “g” faz uma bolinha em baixo, bem melhor. Inclusive o nome dele é Garlos, mas ele errou ao escrever.

5. “estalar o moudo”
– Doutor?
– Pois não?
– Nós o perdemos. Ele se foi.
– Anote a hora do óbito, por gentileza.

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Viver um dia de cada vez,
um fato cotidiano,
curtir a realidade,
sonhando de vez em quando.

E, enquanto a hora certa não chega,
paciência, muita paciência…

… pra viver um dia de cada vez,
um fato cotidiano,
curtir a realidade,
sonhando de vez em quando…

k

Tudo irrita.
Alegria irrita, tristeza também.
Barulho demais irrita, e o total silêncio irrita mais ainda.
Falar com as pessoas? Ah, não, prefiro não falar. Ouvi-las, ao menos? Não. Ouvir o que as pessoas têm a dizer é muito irritante.
Um dia de sol dá nos nervos; igualmente quando chove.
Ter montes de coisas para fazer, um saco! E quando não há nada, que coisa mais chata.
Há momentos em que tudo irrita. Simplesmente tudo.
A única coisa que não é nem um pouco irritante é o pensamento que chega mansamente, avisando: “Não se preocupe, é só uma fase. Uma irritantemente chata fase. Isso, como tudo, vai passar.”

k

Lady Gaga, querida, eu gosto muito de você.
Seguia você no Instagram.
Só que você pensa que seu cachorro é um brinquedo.
Sabe aquilo que dizem, que criança pequena não pode ter bicho de estimação porque ainda não tem noção de que o bicho é um ser senciente (não sabe o que significa senciente, só ver no Google), e pode acabar ferindo o coitado?
Pois é, Lady Gaga.
Creio que a sua idade mental não acompanhou a sua idade cronológica no lide com bichinhos.
Sabe,
todos nós temos defeitos, claro.
E você certamente é boa em muitas coisas
(como já provou ser),
mas não está sendo muito legal com seu cachorrinho (pelo menos é o que você mostra).
Para uma pessoa tão influente, você poderia ser um pouquinho mais responsável.
Quer sair pelada na rua? Ou fazer o que lhe der na telha? Pode fazer,
afinal é a sua vida.
Você fazer o que quiser com a SUA vida, não tem problema nenhum.
Mas, fazer o que você quiser com OUTRA vida, não é legal.
Principalmente quando essa outra vida é totalmente inocente e dependente de você.
Por mais que você tenha comprado o animal (ou tenha ganhado de alguém que comprou), e isso o torna propriedade sua, isso não o torna um OBJETO.
Tá carente, meu bem? Normal, carência faz parte da vida.
Então compra um bicho de pelúcia. Um bicho de pelúcia é um objeto. Não sente dor, nem medo, nem desconforto.
Aí você pode fazer com ele o que quiser.
Por esse motivo, apesar de gostar de você, parei de seguir seu perfil no Instagram.
Como você tem mais de 3 milhões de seguidores, não vai lhe fazer a menor falta.
Mas, não é com isso que me preocupo.
Me preocupo com o modo como você trata seu cachorro.
Beijos.

k

Conversa entre meu sobrinho, minha mãe e eu.

Pedro, que estuda de manhã, chega da escola após as 15h.

EU: Onde você estava? Foi no médico?
PEDRO: Não, eu tava tendo ensaio.
EU: De Dia das Mães?
PEDRO: Não. De Português. A partir do 6º ano não tem mais festinha de Dia das Mães.
MÃE: (sorrindo) Festa de Dia das Mães é só até o 5º ano! Eles são adultos agora! (sorrindo ainda mais)
EU: Nossa, é verdade. Como a gente é besta. É que nós ainda achamos que você é uma criança pequena.
PEDRO: Só eu evoluí.

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