setembro 2006


Iguana

Duas peças de quebra-cabeça, uma verde e outra amarela, lado a lado. Porém, não estão encaixadas, seguram eu e meu sobrinho, que está no meu colo. Estamos no Zoológico.

Um gato de cabeça laranja e grandes olhos amarelos, à nossa esquerda, observa atento. Próximos dele, catchup e leite condensado equilibram-se em cima das cabeças das gêmeas de calcinhas. Os gêmeos de bonés, a baiana e a tábua com um cajú e uma faca estão no canto, reservados.

Bem no meio de tudo, acenando, uma hipopótama de tutu rosa. Aviões, carros, ônibus, barcos e trens passam por ela, que nem nota. A coruja, gorda como a hipopótama, parece preocupada com o barquinho que flutua no rio, tão pequenino que cabe numa caixa de fósforos.

O anjinho, contente, traz frutas e verduras frescas. A vaca e o canguru estão curiosos. A árvore de Natal fica junto o ano todo, é tão meiga e não ocupa espaço! Os dois gatinhos, o macho e a fêmea, estão muito arteiros, principalmente a fêmea, que já perdeu uma pata.

Cardumes de peixes, um golfinho, baleias e os crustáceos estão acima, como se no céu; borboletas e araras embaixo, como se no mar. O grande cacho de uvas suculentas espera alguém para comê-las.

Esta é a porta do freezer. Cumprimente-os, porta, não seja tímida. Já conhecem até os seus imãs.

k

Se sentir frio, respire pelo nariz.

Se sentir calor, respire pela boca.

Descobri sem querer.

k