junho 2007


É difícil… tá tão difícil… é, não é fácil (é estraaaanho rs).

Inquieta, mas cansada. Parada. As coisas passam lá fora muito rápido, mas dentro dessa vida seguem lentas. A rotina faz tudo passar muito depressa, porém sem nenhuma mudança, o que me faz sentir que as coisas não andam, não mudam. Ansiosa.

E, ao mesmo tempo, existe tanta esperança, tanta alegria guardada, tanta expectativa. Quando será que o momento vai chegar, se é que vai chegar? Quando vou poder usar minha alegria? A dor incomoda e é constante, mas talvez um dia ela acabe.

Procuro formas de me distrair. Procuro lugares, pessoas, situações. Mas enquanto não acontece nada, fico aqui. Na expectativa. No aguardo. Esperando a hora certa de romper o casulo.

Penso às vezes que vivo numa constante insatisfação… mas acho que não, não sou assim, dou valor pro que eu tenho. Só que às vezes acho que mereço um pouco mais, sei lá, já tomei tanto na cara…

Espero o dia em que as coisas vão se resolver. Pelo menos essas que me incomodam agora. Espero poder abrir a caixa da alegria guardada. Quero a plenitude, ou pelo menos chegar perto dela. Quero poder por alguns instantes não sentir aquela quase dor que dá nos olhos alguns momentos antes do início do choro, o nó na garganta que sufoca.

Um dia eu me curo.

Nossa, que enrolação… não to conseguindo expressar nada. Só dando volta. Que merda. O que eu quero dizer… é… que já deveria estar dormindo há algumas horas, só que a dor de cotovelo não deixa. Por que tem que existir coisas como auto-piedade? É tão comum a gente ficar se questionando: Pô, mas eu sou tãaaaaaaaaaaaaaao legal… que merda. Fico tão frágil que chego a sentir nojo de mim mesma. Queria ser ruim, mas não consigo. Mas se eu fico ruim, me condeno porque acho que to ficando amarga. À puta que pariu tudo isso.

Todo dia, todo dia, todo dia, sem descanso. Das oito e quinze às nove da manhã, todo dia, eu morro um pouquinho. Espero sinceramente que acabe logo.

k

 

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Eu não sou o meu corpo físico,

Eu não sou os desejos que o afetam,

Eu sou a mente;

Eu sou a Divina Chama

Dentro do meu coração,

Eterna, Antiga, Sem Começo

E Sem Fim!

Mais radiante do que o Sol,

Mais puro do que a Neve,

Mais sutil do que o Éter,

É o Espírito – o EU,

O Ser dentro do meu coração!

– : : –

Eu sou esse Ser; esse Ser sou EU!

Geogrey Hogdson

… mas é tããão difícil!…

k

Oi, meu amor. Esta data não dá pra esquecer nunca. Poderia até tentar, mas, estranho, parece que está marcada em mim… seu aniversário.

Quanto tempo a gente convive junta… desde que nascemos, né? Nossa, como passa rápido, impressionante. A primeira infância, todas aquelas descobertas. Lembro de como você ficava nervosa porque queria entender o que estava escrito nas revistas, pedia pros seus pais repetirem milhões de vezes o som daquelas palavras. Depois, a fase da insolência, da liberdade excessiva. Você achava que podia tudo, que era livre, ficou malcriada e sofreu as consequências! Hahahahahaha quanta chinelada você tomou… e as brigas com o seu irmão, caso eterno de amor e ódio. Mais tarde, o início dos dias ruins, a melancolia que tomou conta do espírito, sufocava, parecia às vezes que você ia explodir de tanta tristeza. Negava tudo, sua vida, me negava. E o que você mais queria era voltar a ser como era na infância, livre, segura, às vezes insolente, até mal-educada… qualquer coisa seria melhor do que aquilo.

Graças a Deus foi passando… e aos poucos você foi melhorando e podendo curtir as coisas boas que apareciam… a independência que vinha com o final da adolescência, as idéias formadas, foi descobrindo quem você era e o que veio fazer nessa vida. Os amores sempre teve, mas houve o que foi formalizado… anos passados ao lado da pessoa que foi um dia a mais importante do mundo, o cara que foi tudo prá você. Compartilhei das suas alegrias e das tristezas, os momentos maravilhosos e as mais duras crises… até que um dia acabou. E quantas coisas depois disso… e é tão bom voltar a conviver com a menina livre que você voltou a ser, finalmente, depois de tanta dor…

A gente brigou muito, é verdade. Muitas vezes você me negou, me abandonou, me ignorou, maltratou, como se pudesse viver sem mim… mas eu sempre estive lá, mesmo quando você achava que eu tinha ido embora… minha sombra estava sempre ali.

É, irmã, quanta coisa… sua curiosidade, criatividade… sua mente questionadora, que nunca pára… seu fascínio pelo feminino, por ser mulher, filha, afilhada, aliás sua paixão pelas mulheres da sua família; sua inteligência, seu sarcasmo que ás vezes ninguém aguenta (nem mesmo eu!). A criançona que você sempre será, mesmo quando as situações exigirem que você seja completamente adulta e responsável. Suas mudanças de humor, suas mudanças simplesmente.

Parabéns meu amor, minha riqueza, minha rosa amarela. Minha casa, minha vida, minha menina, meu coração. Minha mãe, minha filha, minha.

Sou a que vive dentro e a que vigia fora. Sou os sentimentos, sou as emoções, sou sua maior fã! Sou você… e me orgulho tanto disso! Te amo, querida, demais. Me amo, querida, demais.

Feliz aniversário.

a outra k

O que resta? O que resta é resto, fim da viagem.

O que resta é escasso, semi-morto, agoniza. O que resta? Não dá prá ser muito bem entendido, apenas existe, quase terminado.

Resta algo bom, talvez fragilizado, mutilado. Resta um afeto apagado, uma ilusão vazia, uma árvore seca. Planta morta, sem água.

Um dia foi viva, foi vida, pulsava, arfava, arquejante. Era inteira, era luz, era morna, aquecia. Às vezes feria; às vezes incomodava, de tão rápido que crescia e precisava de espaço maior que o do coração em que habitava.

Até que um dia, a verdade revelou-se, e a verdade acreditada era mentira, era engodo, era fruto de um ego inflado, ego frágil, coração partido querendo ser colado às custas do rompimento de outro coração. A luz rosa e incandescente que saía do meio do peito encontrava o outro peito e morria, não voltava. Não havia a tal da reciprocidade, nunca houve.

E foi aí que tudo acabou, e que restou o resto.

O resto, a poeira do que um dia foi vivo.

Foi concreto.

Foi forte, brilhante, feliz, mas que foi construído em cima de nada.

k