abril 2008


Não quero que nada seja pela metade. Quero uma vida inteira, feita de pessoas inteiras. Que tudo seja pleno na minha vida… e que todos também.

Não quero metades de amizades, metades de amores. Não quero provar o gosto do que não poderei ter.

Não tem que ser tudo pela metade, tem que ser tudo inteiro.

Não é questão de tempo, de durar ou não. Não precisa ser para sempre. Mesmo que não seja eterno, mesmo que não dure muito. Independente do tempo que perdure, que seja inteiro, que seja intenso. Que seja verdade durante o curto (ou longo) tempo em que existir.

Não quero nada por educação, não quero migalhas. Se não pode me dar TUDO, inteiro, então me dê o NADA… Mas não me dê metade do que tem, metade do que poderia ter sido, porque ninguém se contenta com metade da vontade, metade do sentimento, metade da felicidade.

Se a tristeza é inteira, que a felicidade também seja.

Se a tristeza é tão intensa, se ela sufoca tanto, que a alegria também seja. Que sufoque até o final.

k

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EDINEI – Oi amor, tudo bem?

CUNHADA – Tudo.

EDINEI (dando espaço no sofá) –  Senta aí.

CUNHADA – (suspiro) Ai, Di… (sentou-se no sofá, pegou uma almofada e pôs no colo)

EDINEI – Fala… que foi?

CUNHADA – É o seu irmão…

EDINEI – Que é que tem?

CUNHADA – Ah, sei lá, tem umas coisas que ele faz que me deixam louca!

EDINEI – Ah, normal.

CUNHADA – Ah não Di, ele passa dos limites!

EDINEI (olhando para os próprios pés) – Nossa, preciso cortar essas unhas! Mas e aí, você falou com ele?

CUNHADA – Ah, falei né. Ele disse que eu tô exagerando e que eu quero mudar a personalidade dele.

EDINEI – É, você tem que pensar que tem coisas em você que ele também não deve curtir, mas ele suporta porque gosta de você… sei lá.

CUNHADA –  É essa mania que ele tem de cutucar o nariz, pô, toda hora, em todo o lugar meu! Ah, fala sério!!!

EDINEI – Não, realmente isso é falta de educação mesmo… (olha novamente para os pés) nossa, mas elas tão muito grandes, olha a do dedão!

CUNHADA – Nossa Di, precisa cortar mesmo. Mas então…

EDINEI – Ah não, eu concordo com você! Ridículo, ele não tem mais 5 anos, acho que você tem que dar uma dura meu! Puta coisa nojenta, éca!

CUNHADA – Vou falar com ele pela milionésima vez. Personalidade… cutucar o nariz, personalidade…

EDINEI – Se você quiser que eu te ajude… nossa, que pele gostosa! (dobrou a perna e levou o dedão à boca para comer uma pele no canto da unha)

CUNHADA (em choque)

EDINEI (cuspindo a pele) – Nossa que pele! (esticou a perna) E no outro pé… também tem! (levou o outro pé à boca)

CUNHADA (apressada, jogou a almofada) – Di, vounessadepoisagentesefala. (saiu correndo)

Enquanto isso, na central de cartões de crédito…

 – Qual seria o CPF da senhora?

– O CPF da casa?

“Estou gastando impulsos.”

“Quando eu comprei esse cartão…”

“Eu queria fazer um pedido de uma solicitação de cancelamento…”

“Estou totalmente desempregada.”

“Eu nem efetuei o desbloqueamento deste cartão!”

“O banco me ofereceu um cartão graciosamente.”

“Esse valor me será ressargido?”

“Para sua graça, eu já piquei o cartão.”

“Eu quero sustar meu cartão.”

“Eu tenho dois cartõezis.”

“Eu só estou mantendo essa conta por amor por esse banco! Meu causo é de amor!”

– O seu CPF?

– Não, eu não bebo.

“Cancela essa pamonha!”

Minha mãe me disse, uma vez, que a esposa deve se fazer de menos inteligente que o marido como uma das formas de se manter uma relação tranquila.

Cheguei então à conclusão de que nunca terei uma relação estável.

Que droga de mundo machista, viu. Parece-me que as mulheres inteligentes, decididas e não-submissas estão fadadas a viver sozinhas. Têm que se esconder atrás de máscaras para não mostrarem sua face delicada e feminina, porque nesse mundo machista não dá prá ser as duas ao mesmo tempo: Se você mostra-se feminina e delicada, é um paradoxo não ser submissa.

Prefiro esconder meu rosto.

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