março 2006


(Edinei é uma garota legal, honesta, limpa, inteligente, que ás vezes é possuída pelo demônio e faz coisas que não gostaria de fazer).

Há dois meses vivo assim: um dia após o outro.

Ontem, na baladinha, caipirinhas, papo rolando solto, acabei contando a um total desconhecido tudo o que me aconteceu. Claro que depois disso ele nem quis mais saber de ficar comigo. Quer dizer… eu nem sabia se ele realmente queria ficar comigo. Pensando bem, acho que não, já que fui a uma balada gay.

Enfim.

Ele disse que eu tenho que ficar com um amigo dele (do meu ex), e eu assim: “Não tenho coragem!”. E ele assim: “Lógico que você tem!!! Aí ele vai sentir o que você sentiu!”, e eu: “Tá, vamos ver…”. Acho que o nome dele era… hummmm… alguma coisa com R… sei lá.

Bom, hoje, depois de pensar bastante, acho que o… é alguma coisa com R, caralho! Enfim… acho que ele tá certo. Ah, tá pensando o que? Que me achou no lixo??? Que depois de 3 anos de namoro pode me trocar por outra menina, zu-a-da, e ficar por isso mesmo? E eu posso falar que é zu-a-da, pois é minha prima. Vagabunda. Mas espera. Isso tem volta.

Minha avó está no hospital há 3 semanas.

Amanhã ela fará 92 anos de idade. Infelizmente ela está inconsciente, portanto acho que não vai rolar nada. Segundo meus pais e ela própria, minha vó sempre foi uma pessoa muito ativa, determinada e, depois da morte da mãe e sendo a filha mais velha, tomou toda a responsabilidade pela família para si mesma. Sempre foi muito independente, mesmo após o casamento e o nascimento dos seus filhos (meu tio e meu pai).

Por causa dessa personalidade tão forte e muitas vezes difícil, imagino como deve ter sido doloroso para ela perder quase toda a audição e a visão e tornar-se vítima da artrose, três sintomas que, lentamente, foram chegando e se intensificando com o passar dos anos. Imagino como deve ter sido horrível quando, há algumas semanas, ela percebeu que não conseguia mais andar. Agora ela nem se levanta mais. Mesmo que ela melhore, não será por completo e não durará muito. Uma parte fica boa, outra piora e assim vai. Nem fisicamente, nem mentalmente ela se recuperará.

Portanto, livre da culpa cristã (já que não sou mais cristã há algum tempo, coisa que minha vó jamais vai saber) eu espero que ela vá. Que ela se liberte. Que encontre todos os seus irmãos. Que ela, livre desse corpo velho e frágil, enxergue, ouça, ande, fale perfeitamente. Quantas vezes a senhora me mandou ir com Deus quando eu saía. Sabe que é o que eu mais desejo a você. Vó, vá com Deus. Que ao lado dele a senhora possa finalmente compreender a beleza de tudo isso, e que cuide de nós aqui em baixo. E muito obrigada por tudo!

k / foto – k

 

Uma amiga me disse certa vez, angustiada, que está ficando muito “dura” para a sua pouca idade. O fato é que ela, além da personalidade, teve e tem acesso a uma considerável carga de conhecimento, fora a bagagem cultural, etc etc etc. Por isso, não tem mais paciência com pessoas xucras, ou pesudo-cultas, dessas que acham que são bem informadas porque lêem a Veja e assistem a telejornais. Essa intolerância a incomoda muito.

Há algum tempo, em outra conversa, eu disse a ela que o lugar onde vivemos não nos estimula mais. Não há nada mais para aprender aqui. Temos que nos deslocar para outros lugares, bairros, regiões se quisermos ver algo realmente interessante. Nossa, como isso me frustra!!!

Por que conhecimento gera angústia? Bom, porque vamos descobrindo os erros do mundo, as hipocrisias, os lobos em peles de cordeiros. Porém, não possuímos poder suficiente para mudar as coisas ao nosso redor, já que são como são há décadas, séculos, milênios. O que fazemos, então? Procuramos pessoas para descarregarmos essa melancolia. Mas fazer isso não nos livra totalmente dela.

Quando eu fazia Jornalismo, fui questionada sobre com o que gostaria de trabalhar. Pensei: “Moda. Fofocas de artistas”. Sabia que não aguentaria política, economia e afins. É muita podridão. Respondi: “Se terminar a faculdade, vou me alienar”. Claro que, mesmo assim, seria uma alienação leve, digamos “profissional”.

Convivo com pessoas materialistas, apegadas à convenções da sociedade, tabus religiosos. Não questionam. Assinam CARAS. Conversam sobre o casamento, filhos, casa, carros, roupas. Adoram enfiar o nariz na vida dos outros. E raramente ficam tristes. Quando ficam, não dura mais que o tempo que as lágrimas levam para rolar pelo rosto e pingar no chão. Na maioria das vezes estão com aquele sorriso grudado na cara, parecendo bonecos. Qualquer coisinha superficial os faz felizes. Me lembram as pessoas daquele clipe do Soundgarden, da música “Black Hole Sun”.

Me pergunto se a ignorância não é realmente uma bênção.

Acho que em certos aspectos é sim. O problema é que ela nunca está sozinha. O preconceito, o egocentrismo, a hipocrisia e outras condutas de igual nível quase sempre são características do alienado. À noite, ele recosta sua cabeça, satisfeito, no travesseiro, feliz por mais um dia repleto de coisas legais: Os remédios para emagrecer comprados, o carro novo que chegou e que já está na garagem, os filhos fazendo faculdades de quinta e trabalhando à base de q.i., a ida à igreja/templo seguida de fofocas maldosas no portão de casa com os amigos (para compensar a péssima vida doméstica), as bebedeiras de final de semana seguidas de sermões anti-drogas para os filhos, as puladas de cerca.

E aí eu digo à minha amiga que prefiro uma vida inteira de melancolia a isso.

“(…)In disguise as no one knows / Hides the face / Lies the snake / The sun in my disgrace(…)”

k

 

 

 

SATAN IS MY MOTOR – Cake

I’ve got wheels of polished steel

I’ve got tires that grab the road

I’ve got seats that selflessly hold my friends

And a trunk that can carry the heaviest of loads

I’ve got a mind that can steer me to your house

And a heart that can bring you red flowers

My intentions are good and earnest and true

But under my hood is internal combustion power

And Satan is my motor

Hear my motor purr

Satan is my motor, motor

Hear my motor purr

Satan is the only one who seems to understand

I’ve got brakes I’m wide awake

I can stop this car at any time

At the very last second I can change direction

Turn completely around if I feel so inclined

I’ve got a mind that can steer me to your house

And a heart that can bring you red flowers

My intentions are good and earnest and true

But under my hood is internal combustion power

And Satan is my motor

Hear my motor purr

Satan is my motor

Hear my motor purr

Satan is the only one who seems to understand

Satan is my motor

Satan is the only one who seems to understand

k

Venho depois de um bloqueio criativo que durou anos. Na verdade, nem sei se ele passou.

Começou com uma situação muito dolorosa, que depois se resolveu e tudo ficou bem de novo. Porém, a criatividade não voltou.

Na verdade isso é um teste pra saber a quantas anda a bendita.

Nasceu. Vamos ver se vinga.

k