abril 2010


A dúvida martela, esmurra, soca a mente.

E aí? O que fazer?

Externar, escancarar, mergulhar na água que não revela sua profundidade – será rasa e eu baterei com a cabeça, ou será funda e eu deslumbrarei a vida marinha?

E agora? Como é que fica?

Verdades que magoam os outros, ou omissões sutilmente reveladas quando não se consegue controlar as vontades?

Mas é vontade mesmo, ou será impulso?

Ou será necessidade?

Ou será uma combinação disso tudo?

Cala – Os olhos também falam, mesmo não falando nada.

Fala – A boca também cala, mesmo se movendo.

Grita – No mesmo compasso do sangue pulsando.

Lamenta – Não tem jeito: se falar ou calar, coisas serão perdidas.

Sente – não se controlam os sentimentos. Eles vêm à tona ou ficam nas profundezas de acordo com o que acontece aqui fora.

E no meio de tudo isso, de toda essa dúvida, a saída mais escolhida é o sarcasmo…

Lembrando que esta palavra, sarcasmo, significa ‘arrancar carne’.

E não há como arrancar carne de alguém sem que ele sangre.

(Textinhos de paixonite são los mejores)

k

Esqueci que, para arranjar um emprego, é necessário omitir que se é imperfeito, como todo ser humano.
Esqueci de chamar a Super Girl na hora daquela entrevista, quando o bambambam me perguntou:

– Qual é a sua dificuldade?

Dificuldade? O que é dificuldade? (sorriso idiota) Não, eu não tenho dificuldades! Sou um robô: Vou trabalhar todos os dias feliz e contente e lamber o chão onde você pisa, seis dias por semana, para ganhar um salário de merda!

***
Esqueci que devo manter o contato com pessoas queridas. Uma dessas pessoas me lembrou. Foi muito gentil da parte dela: Não me julgou. Engraçado é que ela sempre foi tida por uma outra pessoa como alguém fútil e superficial. Olha só como as coisas são: A pessoa “fútil e superficial” não julgou. AÍ SIM, FOMOS SURPREENDIDOS NOVAMENTE!

***
Esqueci que o que me define como pessoa não é um emprego e quanto eu ganho, se eu sou gostosa, se eu estou sempre de bom humor. O que me define como pessoa são meus princípios, meu caráter e… opa. Lembrei que tô no mundo errado.

k

Comecei a ler este livro… caralho, que livro!

Depois de terminar postarei uma singela resenha. Mas sei que essa resenha não estará a altura de tal obra, pq eu não sou nada rs.

Por isso, deixo aqui um post interessantíssimo do Blog do Alfredo Monte, sobre Mario e sua obra, especialmente o Conversa na Catedral.

PS: O livro que estou lendo é da Francisco Alves, com tradução da Olga Savary (edição de 1978 – eu ainda estava no saco, ou então já era um embrião… Depende do mês, já que fui concebida em setembro).

k

Li esta delícia de livro em poucos dias. Ele está aqui em casa há muitos anos, foi comprado pela minha mãe, mas só há uns dias atrás que resolvi pegá-lo.
Bom, dizem que os livros é que nos escolhem… e penso que, apesar de olhar muito pra ele, o momento certo de lê-lo aconteceu só agora. E realmente, parece que foi mesmo. Primeiro pela Dona Janaína, que de uns tempos pra cá tem exercido verdadeiro fascínio na minha pessoa. Aliás, não só ela, como todos os outros orixás dessa religião tão linda que é a Umbanda.
Depois, pela própria história sofrida dos personagens, a labuta diária, o esforço imenso para conseguir os poucos tostões que sustentam aquelas vidas pobres. E, ao mesmo tempo em que são desprovidos das riquezas materiais, são abençoados com a magia e a riqueza da cultura do povo do mar, seus sentimentos intensos, sua dramaticidade, suas histórias e lendas.
Fico envergonhada em afirmar que foi o primeiro livro do Jorge Amado que eu li… mas antes tarde do que nunca!
Fiquei impressionada com a atemporalidade desta história… o livro é de 1936! Grande escritor… usou uma linguagem simples, para contar a história de gente simples. E, como todo mestre da literatura, me fez viajar por outras terras.
E falando em terras… quem sabe um dia, quando eu tiver cumprido a minha missão por aqui, eu não viaje também pelas terras do Sem-Fim, as terras de Aiocá, morada de Iemanjá?
Odoiá, rainha do mar!
k
As nossas ações são como as pedras que caem na água.

Quando uma pedra cai na água, faz aquela onda, que começa a partir de onde a pedra caiu. Esta onda se afasta até a margem, onde bate e retorna ao lugar de onde se originou.

Essa é a trajetória da onda. Às vezes a pedra é tão pequena, que parece que a onda não conclui a trajetória por não ter força para isso. Mas ela conclui, microscopicamente.

Uma atitude correta é como a pedra que cai na água. Bate nas pessoas e volta correta.

Uma atitude errada bate nas pessoas e volta errada.

E cada uma dessas atitudes é uma pedra.

Por isso, eu não acredito que exista atitude que justifique a outra. Todas elas são pedras, e todas elas geram ondas.

A vingança também é uma pedra. A atitude vingativa também cria uma onda, que um dia volta.

Por estar ciente desse motivo que eu não fiz nada… e que não farei nada.

Agora…

Gostaria de saber porque eu estou pagando pelos erros de três pessoas:

– Duas, que se deixaram levar por suas fraquezas de caráter;

– E outra, que acredita que está acima do bem e do mal, que é Deus (ou Deusa).

Um beijo e meus mais sinceros lamentos para vocês!

k