julho 2012


Impressionante como homens e mulheres, no fundo, se odeiam.
Porque só pode ser uma raiva muito grande, ou até mesmo ódio, o que os motiva a tratarem-se uns aos outros como objetos.
E, óbvio, essa raiva surge com desilusões amorosas, que, aliadas à imaturidade, fazem com que as pessoas generalizem o outro.
Então, só porque aquele seu ex-namorado sofria de incontinência sexual e não podia ver uma mulher sem querer comê-la, todos os homens são animais dominados pelas vontades sexuais.
E só porque aquela ex-namorada te trocou por outro, todas as mulheres são putas interessadas apenas em dinheiro, sem inteligência nem sensibilidade.

E, a partir de todas essas crises mal-resolvidas, de toda a infantilidade e falta de bom-senso ao administrar términos de relacionamentos, surgem os mais diversos doidos criando teses absurdas baseadas em sentimentos equivocados. Publicam-se textos, ensaios, videos, expressões, piadas, enfim, um mundo de “conhecimento” sobre o sexo oposto. Vendem-se livros, revistas, blogs bombam, um mundo inteiro de bobagens. As pessoas começam a FORMAR SUAS OPINIÕES embasadas em pura merda.

O que as pessoas mais precisam aprender, mas que ninguém tem paciência, ou saco, ou coragem de ensinar às crianças, é a administração das frustrações, das derrotas, das desilusões, das rejeições. Que o outro não é a solução dos nossos problemas; que ninguém tem super-poderes e nem é invencível; e que chorar, ficar triste, sentir-se abandonado, perder, errar, tudo faz parte da vida.

Somos ensinados a sermos superficiais, frios, traiçoeiros. A dar a rasteira antes que dêem na gente. Tudo isso para não nos desiludirmos, para permanecermos fortes e inteiros dentro dos mundinhos medíocres e fúteis que criamos.

É muito fácil apontar o dedo na cara do outro e expor todos os seus defeitos, culpá-lo por todas as nossas mazelas. É fácil porque nos livra de toda a responsabilidade sobre as nossas vidas.

Queremos pessoas perfeitas, mas que nos aceitem com todas as nossas imperfeições. Chegamos a um nível de egoísmo tão exacerbado que chega a ser ridículo e caricato.

Enquanto formarmos nossas opiniões em cima de nossa imaturidade, enquanto pensarmos que quem é melhor é quem se relaciona com superficialidade, continuaremos a meter os pés pelas mãos. E cada vez mais gente insatisfeita, vazia e indignada, carente de afeto mas sem o poder de dar afeto ficará andando de bar em bar, de balada em balada, de puteiro em puteiro, se perguntando porque não consegue arrumar alguém decente.

k

– Oi! Tudo bem?

– Beleza! E aí, você tá bem?

(Equilibrando, na medida do impossível, a falta de vontade de ser igual e o desejo de um amanhecer sem guerras) – Tô bem sim!

k

Não, não mudei meu status no Facebook.
Não mudei, porque “status de Facebook” não significa nada.
Porque, assim como uma aliança no dedo, como mais um sobrenome depois do meu, como um contrato assinado, é tudo apenas convenção.
Porque com tudo isso, com status de “relacionamento sério” ou “casada”, com aliança, com assinatura nova, eu posso muito bem “desonrar” minha condição a qualquer hora.

Porque nada disso realmente importa, nem nunca importou.
Porque o que realmente importa, não é meu status de Facebook dizendo que me relaciono com o cara X. Isso não quer dizer que eu não o assumi. O que importa é que o cara X é AQUELE, o meu cara. A pessoa que é parceira, amiga, amante, e com quem eu mais gosto de estar na vida. A pessoa dos papos-cabeça, das risadas e dos insights secretos, que só nós entendemos.
Das discussões construtivas e das brincadeiras mais ridículas, que viram gargalhadas de doer a barriga. Dos desafios feitos constantemente um ao outro para que a gente evolua. A pessoa do amor que transborda e nos faz querer ser melhores, do sexo ora doce, ora cheio de tesão. O cara de quem eu cuido quando fica doente, que ponho no colo quando está mal, que abraço apertado sem motivo algum.

Se um dia eu resolver mudar o status em relação ao cara X, não vai ser nada perto do nosso cotidiano cheio de cumplicidade, nem da rotina que é mudada quando começa a pesar na cabeça. Um status não é nada perto do que eu sou ao lado do meu cara, e do que ele é junto de mim.

Não aos status, não às convenções, não aos padrões impostos. Não à hipocrisia. Não às aparências. Não aos simbolismos sem sentido, às palavras vazias, aos gestos dissimulados.

E que se foda o Facebook =)

k

Impressionante como hoje em dia temos acesso à tanta informação. A tal da internet, conectando o mundo. E isso é ótimo: conhecimento vasto, inesgotável, em tão pouco tempo.

E novos meios de comunicação surgem, e novos meios de conexão, de interação, de divulgação. Tudo ao mesmo tempo agora – esta expressão nunca fez tanto sentido antes.

Porém, e sempre há um porém, a maioria das pessoas ainda não sabe lidar com tudo isso. Não sabe separar o joio do trigo.

Sim, porque dentro de toda essa massa há muita, mas muita besteira. E não que besteira não tenha seu lado bom, tem sim. Mas, como forma de entretenimento. A besteira “ruim” é que me preocupa.

Porque ter acesso à informação não significa acesso à educação, ao bom senso, ao senso, simplesmente.

k