fevereiro 2012


Fase de dar uma geral no quarto, muita coisa jogada fora, muita coisa sendo organizada e muita coisa redescoberta. Entre o que eu mais adoro redescobrir estão os textos. Desde coisas elaboradas, trabalhos de escola/faculdade, até viagens na empada como a que encontrei hoje.

Comecei a escrever esta brisa em 17/05/2005. Estava fazendo faculdade, ano de TCC, e durante uns momentos de folga sentada em uma das mesinhas perto do Rei do Matte (onde a gente sempre pedia o matte + leite em pó + açaí + banana), eu dediquei alguns minutos a esta BELA história.  Vou transcrevê-la.

17/05/05 – “Dor com dor se paga”

Nossa trama começa numa igreja, ao som de “Here comes the bride”. É o casamento de Edinei e Mascarenhas Neto. Depois de muito sofrer nas mãos de sua diabólica madrasta, Edinei enfim casava-se com o homem de sua vida. A madrasta morrera tragicamente semanas antes da cerimônia, em circunstâncias obscuras/ainda não esclarecidas, dando total liberdade para Edinei entregar-se finalmente à sua paixão desenfreada.

Os convidados de Mascarenhas Neto compareceram à cerimônia, porém sentiam-se pouco à vontade. Sua mãe não conseguia conter a expressão de surpresa e dúvida em seu rosto pós lifting. Felizmente, devido a plástica, ela conseguia esconder seus sentimentos controversos afirmando à família e amigos que aquelas expressões eram movimentos involuntários de seu rosto, uma reação normal que o lifting causava. Seu marido, o poderosíssimo Mascarenhas Filho, estava mais tranquilo, pois mandara seu advogado investigar toda a vida de Edinei e de toda a sua família, e se porventura houvesse algo errado ele resolveria a situação. Mascarenhas Filho não permitiria que a fortuna acumulada por seu pai e administrada por ele fosse destruída por um casamento estúpido de seu primogênito.

O irmão de Edinei estava vivendo o dia mais glorioso de sua vidinha medíocre – até aquele momento. Eleno vivia com a irmã e o pai no subúrbio e cuidava da floricultura da família. Pederasta, passava meses juntando dinheiro para frequentar as mais caras boates gay da região, à espera de encontrar seu grande amor ou um homem muito rico. Ou os dois. Seu grande objetivo era subir na vida, e o casamento da irmã era um acontecimento que ele não iria deixar passar em branco.  Com certeza ele iria morar na Mascarenhas Mansion® e desfrutaria de todo o luxo e conforto, tornando-se o maior plêiba de todos os tempos. Teria dúzias de escravos sexuais.

O pai de Edinei, Edicleiton, era um homem honesto e trabalhador. Depois de se tornar viúvo, percebeu que sua vizinha Porciúncula estava lhe dando mole e casou-se com ela. Edinei e Eleno ainda eram adolescentes babacas e a mulher pôde controlá-los como queria. O menino nem ligava para isso, contanto que Porciúncula não se metesse demais em sua vida, o que a madrasta não fazia, pois estava de olho em Edinei, por quem nutria um ódio mortal. A menina tinha tido um rápido affair com James Bensons, um gringo hippie que morava nos arredores e que era o grande amor de Porciúncula. Quando Edicleiton descobriu que sua filha de 16 anos estava namorando um homem de 35 expulsou James Bensons do bairro, e o gringo nunca mais voltou.

Mascarenhas Neto e Edinei olhavam-se com lágrimas nos olhos de tanta emoção. Ao se virarem para os convidados, o olhar de Mascarenhas Neto encontrou os olhos verdes de Mamilla, a socialite mais desejada do país e sua ex-noiva. Assustado pela expressão sorumbática do olhar de Mamilla, o jovem desviou rapidamente seus olhos para Edinei, seu docinho de côco, que finalmente tornou-se sua mulher após tantos desencontros febris.

 

“Delicioso.” – James Smith, Time Magazine

“Uma leitura extasiante, a autora nos brinda com uma história dramática, porém encantadora.” – Carl Johnson, Cosmopolitan Magazine

” Edinei é luz do início ao fim do romance.” – Mary J. Scott, Vanity Fair

 

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

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O poder é um mal-entendido.

Ter poder sobre alguém não é subjugar, é fazer seguir sem esforço. Não é iludir, é fazer acreditar na sua verdade.

Não é dominar, é dar a mão.

O poder é incompreendido. A maioria das pessoas não sabe o que é ter poder, porque apenas enxergam seus próprios egos. O poder que pensam que possuem não passa de um controle sobre seus próprios medos, por não os aceitarem.

Dominar para não ser dominado, é viver com medo de ser dominado.

Qual é a graça de se viver com medo?

Qual é o prazer que se sente ao dominar? Nenhum, apenas um alívio covarde por conseguir não se deixar dominar.

Viver em função das limitações, ninguém é livre desta forma.

Ter “poder” e ser escravo dele? Para quê?

O verdadeiro poder coexiste com a liberdade, conhecer as pessoas, tolerá-las e esperar porque o resultado sempre vem, através da Providência, a grande dama.

Quem se conhece profundamente descobre o verdadeiro poder, porque acaba conhecendo as razões dos outros, e descobre que as razões não são boas nem más, são razões.

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Cena 1

A pessoa depara-se com uma imagem bizarra: Formigas dentro de seu micro-ondas!

Engraçado que tá limpo, pensa. Deve ter algum respingo de alguma coisa em algum lugar aqui dentro.

 

Cena 2

Vou pegar um pano… ah, que pano que nada! Vou ligar o micro e matá-las todas esturricadas… MUAHAAAHAAAAHAHAHAAAHAAAA!!!

 

Cena 3 – after the explosion

QUÊ??? Não morreram!!!

Estão perfeitamente normais… ou não! Será que agora são mutantes? Será que criei uma nova espécie de formigas com mutações genéticas? *Pensamentos vão de Homem Aranha, passando por Chernobyl e terminando em O Ataque das Formigas Gigantes*. 

 

Cena 4

Pessoa encontrada na cozinha limpando vigorosamente o interior do micro-ondas com uma mistura de água sanitária, removedor, Lysoform e água benta.

 

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1

Incrível como ultimamente as coisas têm convergido todas em cima de um pensamento. Todas as circunstâncias e acontecimentos não parecem mais coincidências, jogados dentro do meu caminho por acaso. Parece que existe algo de mágico que não existia antes.

Quem procura acha.

Sempre procurei, mas penso que sempre nos lugares errados. Desta vez foquei a busca no lugar certo: Dentro de mim mesma.

2

Depois de tanto tempo, hoje consigo descrever a minha ansiedade. E, como sempre, através de uma metáfora (que é uma das melhores coisas que a humanidade já inventou rs):

Existe essa sala, e eu vivo dentro dela. Um dia, percebi que tinha mais uma pessoa ali. Fiquei sem chão: confusa e totalmente perturbada, porque sempre achei que estava sozinha na sala. Então, durante algum tempo, fiquei desejando que aquela pessoa desaparecesse, que saísse pelo mesmo lugar por onde entrou, para que eu pudesse ficar sozinha e em paz novamente.

Acontece que a sala não tem portas nem janelas por onde se possa entrar ou sair.

Essa outra pessoa sempre esteve lá comigo, eu é que nunca havia percebido sua presença. Foi quando resolvi olhar no rosto dessa outra pessoa.

Descobri que não existe outra pessoa. A outra pessoa sou eu, só está na sala porque é parte de mim. Desde então convivemos buscando a harmonia… Às vezes acontecem uns conflitos, mas ei, não é assim com todo mundo?

3

Não é errado olhar para fora a fim de buscar respostas internas. Errada é a forma que olhamos.

Durante toda a minha vida eu vi o mundo externo como uma certa ameaça, algo de que eu sempre teria que me defender, e aí as armas sempre estiveram levantadas. Baixar a guarda pra levar na cara? Chega, né.

Porém, entendi que essa abordagem era radical e que não estava fazendo nada bem. De uns tempos pra cá, tenho observado o exterior sem julgar. Claro que haverá ocasiões em que ele realmente será ameaçador e eu precisarei empunhar a bendita da espada. Mas não é, nunca foi e nem nunca será sempre assim. Existe muita coisa boa por aí para ser aprendida, desvendada. Gente pra ser “conhecida”, experiências para serem trocadas.

Não sou a única que sangrou uma vez, que teve as entranhas expostas no meio da arena e simplesmente caiu no chão, esperando o fim. Que se sentiu tudo e nada ao mesmo tempo. Que fechou os olhos esperando que tudo acabasse, e que, quando resolveu abri-los, viu que não era tão vulnerável e fraca como pensava que era.

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Preciso fugir.

Preciso fugir de quê?

Daquela coisa imensa que se aproximava sorrateira.

No meio das sombras, eu não a percebi. Enquanto estava acontecendo, enquanto ela se movimentava na minha direção, rastejando, silenciosa, eu não vi.

Talvez não era para ver.

E então chegou, envolveu e cresceu, maior do que eu. Maior do que eu me abraçou, sufocou. A garganta presa, agonia, respiração pesada.

E eu não conseguia mais me mexer ali dentro.

Tenho que escapar, que sair.

Não a vi chegando. Por quê?

Por que as coisas tem de acontecer dessas maneiras loucas?

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Como pode? Será que ele sente as ondas de T que eu mando sempre que eu vejo esse filme? Haushuahsuhahhhaahahahaha!!!

Jude Law em Alfie

 

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