Estou aprendendo a ser menos covarde.
Estou aprendendo a não te ligar, ou mandar SMS dizendo que estou aqui pra você, apesar de querer muito fazer. De dizer que estou morrendo de vontade de você. Que tenho tanto pra te oferecer: Afeto, amizade, colo, piadas de gargalhar, papos existenciais e esotéricos.
E aí quem está de fora pode dizer: “Mas correr atrás é covardia? Claro que não, é corajoso.”

E eu respondo que não. Que, na verdade, é covardia. É covardia porque eu estaria me deixando levar por um sentimento de mão única: porque você não seria corajoso o suficiente para me assumir. Porque você tem a sua própria covardia: de não arriscar, de não dar o braço a torcer que realmente se importa comigo. Covardia de sair do seu mundinho confortável e aceitar minha intensidade, nossa intensidade. Aceitar tudo de bom que eu posso te oferecer. Isso é comodismo, é covardia.

Mas eu estou aprendendo a ser corajosa. Aprendendo a abrir mão de um sentimento tão forte e bonito. Estou criando coragem pra te esquecer. Criando coragem pra oferecer a outra pessoa, que mereça, todo o meu afeto, minha amizade, meu colo, minhas piadas e minhas ideias esotéricas.
Estou criando coragem pra deixar você ir, morando no passado, esquecer todos os breves momentos em que eu realmente pensei que você era o cara certo pra mim. Coragem pra acreditar que existe por aí alguém que não será covarde em me aceitar. Que terá culhões suficientes para me assumir, e assumir toda a intensidade dos meus, dos nossos sentimentos.

Mas não deixo de lamentar. E de sofrer, muito, e de “chorar a perda”. Porque, a partir do momento em que eu ganho coragem para te esquecer, significa que eu te perdi, acho que para sempre. E isso, meu caro, isso dói.

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