Impressionante como homens e mulheres, no fundo, se odeiam.
Porque só pode ser uma raiva muito grande, ou até mesmo ódio, o que os motiva a tratarem-se uns aos outros como objetos.
E, óbvio, essa raiva surge com desilusões amorosas, que, aliadas à imaturidade, fazem com que as pessoas generalizem o outro.
Então, só porque aquele seu ex-namorado sofria de incontinência sexual e não podia ver uma mulher sem querer comê-la, todos os homens são animais dominados pelas vontades sexuais.
E só porque aquela ex-namorada te trocou por outro, todas as mulheres são putas interessadas apenas em dinheiro, sem inteligência nem sensibilidade.

E, a partir de todas essas crises mal-resolvidas, de toda a infantilidade e falta de bom-senso ao administrar términos de relacionamentos, surgem os mais diversos doidos criando teses absurdas baseadas em sentimentos equivocados. Publicam-se textos, ensaios, videos, expressões, piadas, enfim, um mundo de “conhecimento” sobre o sexo oposto. Vendem-se livros, revistas, blogs bombam, um mundo inteiro de bobagens. As pessoas começam a FORMAR SUAS OPINIÕES embasadas em pura merda.

O que as pessoas mais precisam aprender, mas que ninguém tem paciência, ou saco, ou coragem de ensinar às crianças, é a administração das frustrações, das derrotas, das desilusões, das rejeições. Que o outro não é a solução dos nossos problemas; que ninguém tem super-poderes e nem é invencível; e que chorar, ficar triste, sentir-se abandonado, perder, errar, tudo faz parte da vida.

Somos ensinados a sermos superficiais, frios, traiçoeiros. A dar a rasteira antes que dêem na gente. Tudo isso para não nos desiludirmos, para permanecermos fortes e inteiros dentro dos mundinhos medíocres e fúteis que criamos.

É muito fácil apontar o dedo na cara do outro e expor todos os seus defeitos, culpá-lo por todas as nossas mazelas. É fácil porque nos livra de toda a responsabilidade sobre as nossas vidas.

Queremos pessoas perfeitas, mas que nos aceitem com todas as nossas imperfeições. Chegamos a um nível de egoísmo tão exacerbado que chega a ser ridículo e caricato.

Enquanto formarmos nossas opiniões em cima de nossa imaturidade, enquanto pensarmos que quem é melhor é quem se relaciona com superficialidade, continuaremos a meter os pés pelas mãos. E cada vez mais gente insatisfeita, vazia e indignada, carente de afeto mas sem o poder de dar afeto ficará andando de bar em bar, de balada em balada, de puteiro em puteiro, se perguntando porque não consegue arrumar alguém decente.

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