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Incrível como ultimamente as coisas têm convergido todas em cima de um pensamento. Todas as circunstâncias e acontecimentos não parecem mais coincidências, jogados dentro do meu caminho por acaso. Parece que existe algo de mágico que não existia antes.

Quem procura acha.

Sempre procurei, mas penso que sempre nos lugares errados. Desta vez foquei a busca no lugar certo: Dentro de mim mesma.

2

Depois de tanto tempo, hoje consigo descrever a minha ansiedade. E, como sempre, através de uma metáfora (que é uma das melhores coisas que a humanidade já inventou rs):

Existe essa sala, e eu vivo dentro dela. Um dia, percebi que tinha mais uma pessoa ali. Fiquei sem chão: confusa e totalmente perturbada, porque sempre achei que estava sozinha na sala. Então, durante algum tempo, fiquei desejando que aquela pessoa desaparecesse, que saísse pelo mesmo lugar por onde entrou, para que eu pudesse ficar sozinha e em paz novamente.

Acontece que a sala não tem portas nem janelas por onde se possa entrar ou sair.

Essa outra pessoa sempre esteve lá comigo, eu é que nunca havia percebido sua presença. Foi quando resolvi olhar no rosto dessa outra pessoa.

Descobri que não existe outra pessoa. A outra pessoa sou eu, só está na sala porque é parte de mim. Desde então convivemos buscando a harmonia… Às vezes acontecem uns conflitos, mas ei, não é assim com todo mundo?

3

Não é errado olhar para fora a fim de buscar respostas internas. Errada é a forma que olhamos.

Durante toda a minha vida eu vi o mundo externo como uma certa ameaça, algo de que eu sempre teria que me defender, e aí as armas sempre estiveram levantadas. Baixar a guarda pra levar na cara? Chega, né.

Porém, entendi que essa abordagem era radical e que não estava fazendo nada bem. De uns tempos pra cá, tenho observado o exterior sem julgar. Claro que haverá ocasiões em que ele realmente será ameaçador e eu precisarei empunhar a bendita da espada. Mas não é, nunca foi e nem nunca será sempre assim. Existe muita coisa boa por aí para ser aprendida, desvendada. Gente pra ser “conhecida”, experiências para serem trocadas.

Não sou a única que sangrou uma vez, que teve as entranhas expostas no meio da arena e simplesmente caiu no chão, esperando o fim. Que se sentiu tudo e nada ao mesmo tempo. Que fechou os olhos esperando que tudo acabasse, e que, quando resolveu abri-los, viu que não era tão vulnerável e fraca como pensava que era.

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