Hoje faz mais um ano desde que nasci. Trinta e dois, pra ser mais exata.
Ontem minha mãe catou no fundo do baú uma pasta em que guarda redações e desenhos meus e do meu irmão, de 20, 25 anos atrás.
Nossa. É muito estranho quando penso que há 25 anos eu era uma criança. Parece que não faz tanto tempo assim, é engraçado. Essa constatação, de que o tempo passa rápido (ou simplesmente não existe) tem ficado mais forte de uns anos pra cá.
Assim como outras coisas que a gente começa a entender depois que a adolescência finda: Como a gente não é tão especial quanto pensava ser, que não temos superpoderes nem vamos conquistar o mundo com nossas habilidades, enfim, coisas que todo adolescente pensa.
Será que isso é crescer, então? Tornar-se adulto?
Nunca gostei de rótulos e padrões impostos pela sociedade, tipo no dia em que você faz 13 anos se torna um adolescente; e com 20 já é adulto. Até os 25 anos você é jovem. São coisas que foram criadas para facilitar na hora de se fazer estatísticas e o caramba, mas que a gente incorpora sem perceber, na vida. E quando percebemos que não nos encaixamos em alguns desses padrões, por mais que não nso deixemos abater, ficamos confusos.
Ainda não me casei, nem tive filhos. Ainda não ganhei meu primeiro milhão de reais. Não realizei nenhum grande feito na minha profissão, que me fizesse ser promovida com um puta aumento de salário. Ainda não tenho uma casa própria.
E por mais que eu saiba, lá no fundo, que o meu modo de ver a vida e as experiências pelas quais passei sejam únicas, exclusivamente minhas, que não existe no mundo alguém que seja igual a mim, me incomodo por mesmo assim não fazer parte de um ou mais padrões, citados anteriormente.
Por mais que eu entenda que nada acontece por acaso, que eu, apesar de não ter o material nem o que ditam as convenções, tenho muito mais na mente, nas ideias, e no emocional do que muita gente que ganhou seu primeiro milhão aos trinta, mesmo assim me sinto mal às vezes. Porque essas coisas que eu ganhei ao longo da vida não são materiais, concretas, palpáveis. E desde sempre é isso o que importa: TER, e não SER. Se o mundo realmente se importasse com o SER, não teria tanta gente boa, inteligente, solidária passando necessidade e tanta gente ruim ganhando rios de dinheiro.
Tenho orgulho por chegar hoje sabendo e sentindo tanta coisa que aprendi por aí. Tendo todas as experiências que eu tive, boas e más, que me fizeram pensar e ver a vida do modo que vejo hoje. Por todas as pessoas que passaram e de alguma forma contribuíram para a minha evolução. Por saber que não sou perfeita, cheia de defeitos e mesmo assim tem gente que me ama assim mesmo.
Tenho muito sim. Ganhei muito ao longo desse tempo. Pode não ter sido muita coisa material, mas creio que essas coisas valem mais. Ganhei maturidade, mas continuo uma retardada, e sabe o que mais? Adoro ser retardada. Adoro falar besteiras. Adoro quando me falam que em um minuto eu sou totalmente adulta, e no outro, completamente criança. Adoro essa compaixão louca que tenho por animais, me fazendo, 4 dias atrás, chorar a perda de um rato de estimação de 20 gramas como se fosse uma pessoa. Adoro o fato de amar música e de saber (não tanto quanto gostaria) fazê-la. Poder escrever desembestadamente um texto gigante porque me deu vontade. Poder rir das minhas desgraças e das alheias, e também chorar e me deprimir pelas mesmas. Ser alguém que não tem preconceitos. Também adoro todos os meus defeitos (mas esses vão ficar guardadinhos aqui comigo rs).
Se é pra ser assim, desse jeito, que as coisas devem caminhar, então bora. Não quero ser apenas mais um número, mas também não quero ser a pessoa mais maravilhosa e perfeita do universo. Quero ser especial, maravilhosa, fantástica, para mim. Continuar agregando mais e mais para a minha evolução.
Engraçado que agora, quando me lembro de tudo o que aprendi, dos momentos marcantes e talz, percebo que realmente faz bastante tempo. Dez, quinze, vinte e cinco anos, mas que não pesam como eu imaginava todos esses anos quando era mais nova.
Há 22 anos, escrevi numa redação que os homens que derrubam árvores deveriam ser chamados de “maníacos vegetais”; que o Presidente da República era um idiota por não fazer nada pelo ambiente e pelos índios; que uma menina que uma vez cobiçou o brinquedo da outra e o roubou, acabou perdendo a única amiga que tinha.
Engraçado como parece que foi ontem.

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