Enquanto o outono se transforma em inverno, o sol vai ficando cada vez mais pálido. A gente anda pelas ruas e uma luminosidade fria toma conta dos rostos e dos lugares.

Conforme o tempo vai passando, o vento fica cada vez mais gelado. O por-do-sol, que antes acontecia bem atrás daquele prédio, muda de lugar. Os raios solares agora batem em outras direções. E para outras direções passamos a olhar.

De todos os ciclos da Natureza, o inverno é o mais introspectivo, e por isso torna-se o mais intenso. Ao mesmo tempo em que a temperatura externa cai, voltamos-nos cada vez mais para dentro. Dentro de casa, dentro de onde é quente, confortável e aconchegante. Pensamos mais sobre a vida.

Vai chegando o tempo das mãos geladas, dos narizes vermelhos. Cada vez que expiramos o ar sai vapor quente e branco. Tempo de blusas de lã, de gorros, de casacos. Tempo de bebidas quentes e dias cada vez mais curtos. Tardes frias em casa, debaixo de cobertas, agarrado a alguém que se estime. Tempo de refletir, de deixar o velho morrer observando as folhas secas caindo no chão.

Vai chegando o tempo do sol branco, da luz fria e fraca. Onde tudo que pertence ao mundo externo não importa mais do que o que vive dentro da alma.

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