Meu Natal não foi feliz, assim como o Natal de milhões de pessoas por aí.

Apesar de todo o esforço da mídia, das grandes empresas, da sociedade, das pessoas à minha volta, não rolou.

O Ano Novo não será diferente.

É a primeira vez na minha vida que isso acontece. Passar por esses dias em luto pela morte de um amigo, e com pessoas da família doentes.

Engraçado que, pelo fato de você ser praticamente obrigado a ser feliz nesses dias, parece que as coisas ruins que acontecem têm uma carga, uma dimensão muito maior do que teriam em outras épocas do ano.

Hoje eu poderia ter ido viajar novamente para me encontrar com a minha nagyi fraca e doente, igual ou pior do que estava no Natal. Mas não fui.

Não fui não por egoísmo, pois estou aqui em casa sozinha e vou ficar sozinha até a noite, quando um casal de amigos vem me buscar pra me fazer companhia. Não sei porque não fui. Acho que o Natal foi triste e revoltante demais pra mim.

Percebi que a culpa meio que começou a querer se instalar dentro de mim por não estar me divertindo e sendo feliz nesses dias. Tratei de acabar com ela.

Percebi que a raiva egoísta também tentou dar as caras aqui dentro, pelo fato de saber que um monte de gente está se divertindo e eu não. E novamente tratei de fazer com que ela desaparecesse.

Esses dias “especiais” são dias como quaisquer outros. E as tragédias, os acidentes, as doenças, não escolhem hora para surgir. Infelizmente surgiram por esses dias. E não tenho obrigação nenhuma de dar à essa sociedade de padrões materialistas e fúteis o que ela espera de mim.

Nem nesses dias, nem em quaisquer outros.

Vou chorar, vou deixar a tristeza passar por mim o tempo que for necessário. Não importa que dia seja esse.

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