Tinha esquecido como o horário eleitoral pode ser divertido. Eu sempre me esqueço (bloqueio pós-trauma?), mas a cada dois anos sou gentilmente lembrada.

Desfile de candidatos, pseudo-políticos, artistas de segunda, terceira, quarta, quinta (ad infinitum) categorias, pastores e todo o tipo de pessoa sem o mínimo de preparo para ingressar num cargo político.

Os destaques foram:

– Marido da Mara Maravilha e Servo de Deus;

– Mulher Pêra;

– Agnaldo Timóteo pedindo votos do pessoal que elegeu o Clodovil;

– Ronaldo Esper;

– Maluf criticando o aumento de salário dos senadores (porque não é um deles, e não porque está interessado no salário mínimo);

– Kiko KLB;

– Tiririca e seu incrível slogan de campanha;

– Um certo deputado estadual, conhecido dos meus pais há anos (infelizmente), que é pastor de igreja evangélica, que fez fortuna após virar pastor e que diz para os fiéis que teve infância paupérrima, quando na verdade seu pai era dono de um açougue.

Impressionante como política, juntamente com a religião, é a maior fonte de hipocrisia que existe. Pelo que me lembro das aulas de História e Sociologia, os políticos na Grécia Antiga, berço da Democracia, eram empregados do povo – gente comum, como qualquer outra, que trabalhava pelos interesses dos cidadãos, eram dotados de inteligência e não de dinheiro. Não eram pop stars, eram gente como a gente. Não ficavam pulando de partido em partido, porque suas ideologias, como acontece com pessoas dotadas de inteligência, eram bem fundamentadas. Ou seja, não existia um partido que se intitulava Partido dos Trabalhadores e que, do nada, mudava sua ideologia e se transformava num partido interessado nas elites e nos empresários. Não existia um partido chamado Partido da Social Democracia Brasileira (Social Democracia significa Socialismo), que vendia o Brasil para empresas estrangeiras.

Huahsuahushahhaha viva a revolta! Pronto, me contive.

A graça que vejo quando assisto ao horário político, as minhas risadas e piadas, fazem parte de uma frustração tão imensa que prefiro rir a chorar. Aliás, isso é o que nós brasileiros desiludidos fazemos: piada. E isso também é frustrante.

É isso aí, políticos. Continuem a se parecer cada vez mais com artistas, com seus montes de dinheiro, suas plásticas, suas propriedades, seus fãs.

É isso aí, artistas. Continuem a se parecer cada vez mais com políticos, com seus partidos sem ideologias, sua ignorância, sua hipocrisia, seus eleitores.

k

Anúncios