Existem momentos que são tão legais que não queremos que acabem.
Raras épocas em que paramos, olhamos e dizemos: está tudo bem, estou feliz agora.
Existem momentos que queremos tanto que acabem que não conseguimos pensar em outras coisas.
Épocas em que paramos e pedimos ao tempo que passe rápido, muito rápido.
Vivo numa inhaca momentânea. Grudenta, pegajosa, limitante.
A gente se livra do concreto, material, carne-e-osso, presença, mas não se livra do abstrato, pensamento, sentimento.
Um saco.
Um saco pesado, gigante, que insiste em ficar amarrado na gente.
Um cadáver em decomposição, asqueroso, nojento, fétido. Que não tem mais sentido, que não presta pra nada. Uma sombra do que um dia foi algo bonito.
E então arrasto este cadáver. Por enquanto.
Vai ver que tem que ser assim mesmo. Porque na hora em que conseguir me livrar do fardo… aí nem que o cadáver ressuscite: vai continuar feio e podre.
Levanta não, Lázaro. Fica aí quietinho. Mortinho.
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