O transporte coletivo pode ser bem nojento, se pensarmos a respeito. Na verdade, não é pra encanarmos com isso, é só uma reflexão. Chegando em casa a gente se lava e fica novo.

Anteontem eu subi no ônibus e vislumbrei um lugar vago. Era na última fileira, de um lado o assento da janela onde estava um cara, e do outro, o assento “corredor da morte”, sabe aquele bem no meio, que se por ventura o motorista der uma freada brusca você vai parar lá na catraca? Então vi o lugar, e sentei lá. A mulher que estava sentada no corredor da morte me olhou algumas vezes, mas eu nem liguei. Passados alguns segundos após eu me aboletar, senti aquele odor de rosas, aquele aroma bem sofisticado de gente que não toma banho há anos. Aí percebi porque a porra do lugar estava vago! =D

Como estava muito cansada resolvi ficar, os ventos eram favoráveis na maior parte do tempo, de vez em quando me brindavam com o cheirinho totoso. Mas reparei que o cara, além de dono de um futum sensacional, era estranho. Tinha um radinho e ficava o tempo todo mudando de estação, meio descontrolado vamos dizer. E toda hora ficava fuçando na sacola que levava no colo. Eu pensei “Se ele fizer algum movimento brusco eu pulo daqui”, mas ficou só naquilo mesmo. Vai ver que estava agitado porque nem ele devia aguentar o próprio fedor, sei lá.

Eu sei que esse cara começou a olhar muito lá fora, pensei “Deve estar chegando o ponto dele, GRAÇAS A DEUS”; mal acabei de pensar e o cara levantou-se sutilmente e quase me levou junto com ele, dei uma bolsada na cara da mulher do corredor da morte, pedi desculpa e sentei de novo. Olhei pro cara e percebi que estava todo mijado, éca. Devia estar cagado também, porque aquele odor de flores não era brincadeira. O cara desceu e o cheiro foi embora com ele, certo? Errado, o bumba ficou impregnado, mil vezes merda (e mijo). Até sentei em outro lugar quando esvaziou, sem sucesso. Aí fiquei imaginando o ônibus chegando no ponto final, o pessoal subindo e alguém sentando naquele lugar… porque estava limpo, não é que o cara cagou e mijou lá, ele já estava daquele jeito. A pessoa sentando no lugar, se encostando… tipo, se é um homem de bermuda, ou uma mulher de saia, encostando a pele no banco… aaaarrrghh! Pensei no lugar onde eu estava sentada, quem será que já havia passado por ali durante o dia? É cruel pensar nisso, né rsrsrs.

Então ontem, estava eu dentro do ônibus dentro do terminal, sentadinha na janela quase dormindo, esperando o motorista entrar pra irmos embora. Aí um cara sentou do meu lado cantando. Percebi que ele não estava ouvindo música com fone, simplesmente estava cantando seu repertório de pagodes e batucando na mochila… contive meu impulso de assassiná-lo com requintes de crueldade e respirei fundo. Estava muito cansada. Desceu um pouco antes de mim, e até levantar brindou-me com seu bom gosto musical ¬¬

O transporte coletivo pode ser bem nojento.

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