Homem sem Nome – Adriano Silva

Os livros nos escolhem. Este me escolheu por intermédio do meu amigo JK. Ele me disse que, depois de lê-lo, das duas uma: Ou eu me mataria ou nunca mais reclamaria da vida.

Bom, eu consegui chegar até o fim e não me matei rs. Mas, a cada história terminada eu reflito sobre o que vi. E o que eu vi nesse livro foi algo sobre saber que as coisas estão erradas e pior, prever que ficarão piores, mas por derrotismo, ou culpa, deixar que tomem conta até que não reste mais nada em que acreditar.
O personagem recebeu sinais de que as coisas não iam bem até dizer chega.
Além disso, ele provocou as situações em que vivia. Nunca conseguiu esquecer as atribulações da infância, o péssimo relacionamento com seu pai e a culpa pela vida sofrida da mãe, como se fosse a vida dele, e não uma escolha feita por ela mesma.

Tomou a pior decisão que existe: por causa do ressentimento, e de não conseguir esquecer, resolveu carregar os problemas da infância, o pai e a mãe consigo.

Munido dessa bagagem sombria seria de se estranhar que as coisas de repente se tornassem boas na vida do cara. Obviamente, não foram. E todo o tempo ele sabia que estava conduzindo as coisas de modo errado, e os sinais estavam lá, na sua mente, e depois na forma do mendigo. Mas ele optou por seguir em frente, numa auto-punição doentia por se sentir culpado pela sua própria fraqueza de não poder largar o fardo que nunca foi dele, e assim refazer sua vida.

Até que ponto o ressentimento, o comodismo e o medo podem estar tão encravados na mente de uma pessoa para que ela se auto-destrua?

Por que temos tanto medo de errar, de recomeçar, de mudar, de romper com o que não nos faz bem?

Essas questões estão martelando há muito tempo. Eu ainda não consegui decifrar os sinais, mas pelo menos estou tentando.

Este livro é fantástico. Pelo menos foi para mim, porque na verdade, os livros nos escolhem.

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