Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava. A estrada vazia instaura a hora deserta

No caminho que ninguém caminha, e a vida insinua sem ser descoberta

Alta noite já se ia, pulsa a veia, a víscera, a terra, o chão

Ninguém com os pés na água. Na estrada a vida pulsa por qualquer secreção

Nenhuma pessoa sozinha ia… Halo de vida que exala das pequenas mortes, sexo, ascese, acaso, sorte

Nenhuma pessoa vinha, necessidade, desejo, esperança, perda

Nem a manhãzinha, nem a madrugada, explodirá a vida em sangue, suor e esperma

Nem a estrela-guia, nem a estrela d’alva e por algum instante ser apenas falta

Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava. Ser a hora mais deserta que habita em nós

No caminho que ninguém caminha, ser nada, desamparo de qualquer exílio

Alta noite já se ia ser a estrada que vazia reverbere a voz da vida

Ninguém com os pés na água e pulse toda a vida pulse toda

Nenhuma pessoa sozinha ia, voa da estrada e desafia a queda, desafia a queda

Nenhuma pessoa vinha voa da estrada, pra não mais pousar

Marisa Monte+Lobão

 

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