Ela reparou naquilo através do nevoeiro, quase imperceptível, mas sabia que tinha algo lá, sentia sua presença.
Aos poucos ele se aproximava, cada vez mais nítido, mais intenso. Ela ia focando sua atenção nele, até que não conseguia ver nem pensar em mais nada.
Ele estava ali.
Ela não fez nada para impedi-lo de se aproximar, porém ia sentindo-se cada vez mais incomodada quanto mais perto ele chegava. Era bom, e ao mesmo tempo, irritante, era invasivo. Além disso, era algo que pulsava uma energia estranha, ambígua.
Ela não tinha mais controle sobre o que pensava e o tempo desapareceu.
Então ela se aproximou o mais que podia e desferiu o primeiro golpe, que o abriu de cima a baixo.
Enquanto ela sentia o prazer de dilacerá-lo e o sangue quente escorrendo por entre os seus dedos, pensava que poderia ser diferente. Então ela conformou-se: “Nunca seria diferente”, e sentiu-se bem.
A agonia daquilo morrendo, gemendo, convulsivo, indo embora para sempre, enchia-a de esperança e tranquilidade. Ela tinha matado o que a mataria.

Ela

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