É difícil ficar com a cabeça no lugar em relação à aparência nos dias de hoje. Não dá prá escapar, está encravado na gente essa coisa de ter que ser 1) magro e 2) com tudo no lugar.

Prá pessoas que nem eu, que já sofreram prá caramba com rejeição e não se valorizam muito, é uma merda viver com esses padrões martelando a mente.

Aparência é foda, exerce um puta poder mesmo, é tipo um cartão de visita, é importante, etc, concordo. Mas sei lá, eu conheço várias pessoas que baseiam os seus relacionamentos nela, mas assim, em proporções absurdas, e isso prá mim é de uma ignorância sem tamanho. Conhecer pessoas e se relacionar faz parte da vida, e essa gente então, prá mim, se limita.

Limita-se a viver dentro de um mundinho onde as coisas e pessoas têm que ser perfeitinhas. Fico com dó.

Eu concordo que o bonito chama a atenção mesmo, ao contrário do feio. Porém, entre esse “bonito” e esse “feio” existe a famosa “relatividade” – o que é bonito prá mim pode não ser prá você – e outra, as pessoas não são apenas os próprios corpos, são muito mais do que isso.

Não quero que vocês, 924884345672340902734 de pessoas que lêem assiduamente este blog pensem que eu estou sendo radical, indo para o oposto do que é fútil, não é isso, eu odeio radicalismos. Eu também aprecio o belo, caramba, eu olho prá caras bonitos na rua, em revistas, etc., prá mulheres também. Inclusive prá mulheres que eu fico mais fudida, porque eu penso: “Merda, eu bem que podia ter esse corpo” rsrsrsrsrsrsrsrsrs.

O problema são pessoas que se apegam a mínimos detalhes da aparência e transformam em enormes. Que limitam suas amizades (e até que ponto são amizades mesmo), amores (e até que ponto são amores mesmo), conduta, atitudes, VIDA à aparência física. Pessoas que se deprimem, que sofrem, se algo de errado acontece com os seus corpos – e esse “algo de errado” não se trata de doença, ou coisa assim, mas alguma coisa que fuja das merdas desses padrões.

Por mais que eu saiba que isso faz parte mas não é tudo, que não é NEM A METADE do que nós somos e podemos oferecer prá nós mesmos, prá quem amamos e pro mundo, eu me desvalorizo e fico mal quando vejo algo que eu sei que hoje, ou amanhã, ou nunca, sou ou vou ser. Quando alguém me trata como se eu fosse algo sem importância por não ter barriga de tábua e ser toda dura. Isso dói, sei que é uma merda admitir, mas eu também sei que tem um monte de gente por aí que fala “ah, isso é besteira”, mas se dói também.

É foda descobrir que em qualquer ambiente, social ou profissional, por qualquer pessoa, às vezes de quem você gosta muito, você pode estar sendo avaliado e julgado, não importando o quão inteligente, agradável, amoroso, etc. você possa parecer. Porque você foi avaliado, julgado e até CONDENADO por nem metade do que você realmente é e pode oferecer.

Ontem vi o esculacho do Pânico em cima da Preta Gil. Eu admito que dei risada em alguns momentos, mas depois pensando bem, achei ridículo, e me achei ridícula por ter achado graça. Tanta gente podre nesse país prá ser humilhada, de diversas formas, e vão ofender uma pessoa que simplesmente não tem vergonha de ser ela mesma? Que só por estar na mídia tem que ter o corpo perfeito a qualquer custo? Hoje entrei na net e vi o link pro blog dela, onde ela escreveu um desabafo.

Dizem que certas coisas chegam até nós, não precisamos procurar… esse texto veio numa hora perfeita prá mim, que vivo numa “crise de aparência” péssima, me sentindo cada vez mais desvalorizada porque não me encaixo nessas merdas de padrões… eles pegam tão pesado que ninguém escapa!!!

Apesar de não ser fã da moça, sempre admirei essa coisa tão linda que ela tem, e que falta a mim e a tanta gente: auto-estima. Ler o texto dela foi inspirador.

To com muita vontade de mandar tudo isso à merda. Pois é, meus caros, vão todos se foder.

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