Existem muitas histórias envolvendo heróis que, por insistirem no que acreditavam, conseguiam salvar o dia. Quando se fala em persistência, todos pensam em obstáculos superados, etc. As pessoas vêem a palavra como positiva.

Porém, no meu caso, em relação a um problema que eu tenho há um bom tempo, persistente (rs), fico pensando se às vezes vale a pena persistir com determinada atitude. Cheguei à conclusão que não.

Uma vez recebi um desses e-mails com contos sobre motivação, etc. que falava de um urso que insistia em agarrar um alimento, sei lá, e toda vez que o fazia, levava um choque, coisa assim, e ficou repetindo o gesto várias vezes.

Será então que não seria interessante o bicho olhar à sua volta e perceber que poderia arranjar comida de outra forma? Engraçado que eu estou tão triste que já imagino o animal preso sem ter prá onde ir, e morrendo de fome depois de algum tempo. Normal, na verdade é exatamente assim como eu me sinto.

Mas retomando o raciocínio sem a parte mórbida: Será então que não seria interessante o bicho olhar à sua volta e perceber que poderia arranjar comida de outra forma? Seria sim. Mas será que, sendo irracional, o urso iria conseguir separar o instinto de se alimentar com o instinto de sobrevivência, de manter-se ileso? Acho que não.

Acontece que eu não sou irracional.

Simplesmente mudaria o meu foco. Olharia em volta e perceberia que existem outras possibilidades. Eu descobriria que eu sofro por estar querendo algo que não me pertence. Então, pelo fato de ser racional e ter livre arbítrio, e por auto-preservação, eu buscaria outra comida, ou outra forma de obtê-la. Mudança.

É disso que eu preciso.

Não adianta me forçar a fazer algo que me faz sofrer, isto é, ficar muito tempo em lugares fechados dos quais eu não tenha autonomia para sair. Pois é, eu sofro de claustrofobia.

Sofro muito.

Cansei de tentar ser “normal”, de tentar me encaixar em padrões, não só os impostos pela sociedade, mas certos comportamentos das pessoas com quem eu convivo.

Não adianta também esperar que as pessoas entendam o que é isso; por mais que se simpatizem com a minha situação, não entendem. E eu quero mais é que se fodam.

Não vou mais persistir no que me faz mal. Tentar ser como os outros, porque eu não sou. E se porventura eu perder ou deixar de fazer amizades, contatos, etc., apesar de me doer muito pensar nisso, vou procurar não ligar. Quero perto de mim pessoas com sentimentos verdadeiros. Eu preciso da verdade na minha vida.

Chega de tentar ter o que não me pertence.

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