Estava eu num restaurante, muito bonito, meio de pedra, sei lá, era tudo marrom (provavelmente significando a merda em que se encontra minha vida? Anyway…). Mas era muito bonito mesmo, sabe chique? Uma merda chique.

Tinha acabado de levar um soco no olho, não conseguia enxergar muito bem, mas estava ótima. Parece que minha boca sangrava, não lembro direito. Não sei como ganhei aqueles ferimentos, provavelmente “por ser uma menina máaaaaaaaaa / Quem sabe o príncipe virou um chato…”. Peraí krol, não viaja, OLHA O FOCO!!!

Pedi uns quitutes, parecia tempurá. Feitinho na hora, tudo quentinho e molinho (huhuhuhuhu). Fiquei comendo (HUHUHUHUHU).

Numa mesa meio na minha frente, tipo duas horas (manja, as coordenadas?), tinha um casal. Muito fofinho. Às vezes eu era a menina, ficava tão feliz… rsrsrsrs. Mais ao longe, tipo sete horas, estava uma mulher, seus 65 anos, sozinha, vestida de rosa, toda emperiquitada, maquiagem, jóias, etc.

A menina tinha se ausentado por 12 dias, eles tinham se reencontrado ali mesmo, combinaram um almoço. Estavam morrendo de saudades um do outro. Ela tinha ido prá outro estado, resolver umas coisas de família. Falava sem parar dos parentes, porque minha mãe isso, meus tios aquilo, etc. Faltavam 8 meses pra ela fazer 22 anos. Maior grude os dois.

A senhora não estava tão feliz. Fazia um tempão que tinha pedido seus quitutes, porém não chegavam, o garçon estava tirando uma com a cara dela, com certeza. Realmente, às vezes ele aparecia por lá, tinha cara de pateta, um idiota completo. A seleção brasileira de futebol estava jogando e ele torcia pelo empate. Isso deixava a senhora puta da vida.

O casal nem ligava, e eu só observando, que é o que eu faço de melhor nessa vidinha. Estava ficando muito engraçado ver o garçon sem noção falando merda, e a senhora ficando cada vez mais nervosa. Como era super classuda, ela não falava nada, mas pensava várias besteiras, xingava o cara, etc. Tudo em pensamento.

Até que uma hora, ela explodiu. Soltou frases dignas de uma feirante, mto engraçado. O garçon lá, nem ligava, com cara de mais pateta ainda, resmungando que queria o empate.

Aí tudo ficou meio nebuloso. O casal foi pra casa, e eu era a menina, nossa tava muito felizinha com o meu namoradinho. Até lembro um pouco do rosto dele, moreno, de olhos pretos. Tudo bem que morenos não são o meu tipo, mas dane-se.

Depois eu estava no campo de futebol, o jogo havia acabado, e a senhora tava dando entrevista, falando que o tempo inteiro torcia como uma louca pela vitória do Brasil, mas certas pessoas sem educação ficavam tirando uma com a história toda, e ainda eram maus empregados, que deixavam os clientes esperando um tempão por seus quitutes. O garçon pateta estava lá também, triste porque o Brasil tinha ganhado, resmungando sobre empate, porque queria o empate. O repórter chegou a comentar algo tipo como se ele fosse um comediante, mas eu não lembro. O dia estava super bonito, ensolarado.

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