Tô entrando no metrô. As pessoas conversam e brincam mas hoje eu tô meio sei lá. Não presto atenção, tudo se move mas aqui dentro tá quieto, pensando. Sozinha.

As pessoas vão embora e eu me sento na janela. Tá tudo escuro na maior parte do tempo, e aqui dentro também vai escurecendo. As estações são como manchas coloridas que passam muito rápido e logo somem. Por que tem de ser assim? Nada dá certo o tempo todo, mas tô cansada de ficar sozinha desse jeito. Vai fazer 1 ano já. Tudo bem que eu me sentia sozinha antes de terminar, mas sentia também uma segurança.

O trem vai muito rápido, e rapidamente vai crescendo a minha raiva. Alguns caras vieram e foram embora, nenhum ficou na minha vida. Acho que o problema é comigo. Sou legal demais, não faço tipo prá agradar. Não sou a mocinha submissa, nem a vaidosa, a cheia de não-me-toques, sou só eu aqui. Transparente. Sem medo de parecer ridícula, sou assim.

De repente o trem chega na superfície, a luz do dia atrapalha a visão e me acorda. A escuridão acabou então, abriu-se em dia de céu nublado. A esperança não morre.

Mesmo nublado, é dia claro ainda. Ainda existe luz.

k

Anúncios