Domingo, Sunday, sun-day, dia do Sol.

Sol Invictus, ou o que questionava tudo e todos… até parece eu!

Domingo. Eu odeio o domingo. Desde a mais tenra infância. Minha mãe dizia que eu chorava de me acabar, porque era o dia em que a gente voltava do camping, depois de um fim-de-semana pitoresco na barraca, no meio do bosque. Comecei a acampar com 6 meses de idade.

Apesar da depressão, existia também uma expectativa de alguma coisa melhor acontecer. Eu tenho esses sentimentos no domingo desde sempre. Claro que, com o tempo, os objetos dos meus devaneios dominicais foram mudando, mas a sensação é exatamente a mesma.

Estava com os meus pais na sala, à noite, lendo jornais e revistas, esperando ficar rica da noite pro dia, prá poder ganhar aquela boneca que eu tanto queria… não via a hora da semana começar prá voltar a ver o meu amorzinho da escola, e triste por ficar uma semana inteira sem ver o meu amorzinho do camping. Louca pra assistir o Xou da Xuxa. Triste por ter de ir na escola lá no outro país, que eu odiava… só queria viajar por aqueles lugares, onde ninguém me conhecia, tipo entrar no carro à 1 da manhã e só sair dele no outro dia, em Andaluzia, na beira do Mediterrâneo, na cidade onde nasceram meus bisavós. Ansiosa, quase ficando doida pois no dia seguinte começariam minhas aulas, e eu não conhecia ninguém. Aqueles programas ridículos na TV que só serviam para piorar a situação toda… e continuam toscos até hoje.

No frio, a tristeza de saber que teria de acordar muuuuiiiiiiito cedo no dia seguinte… e no calor, a tristeza de saber que teria de ficar enfurnada na escola/trabalho com aquele dia fantástico.

Hoje é domingo, e sinto as mesmas coisas… e sentirei as mesmas coisas nos domingos vindouros, até o dia em que acabar minha jornada corpórea.

Tem coisas que nunca mudam. O domingo, a melancolia, a expectativa, eu.

k

 

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