Depois que só restou o resto, fiquei meio sem saber o que fazer. Como o afeto não tinha desaparecido totalmente, aquele resto ficava ali, meio sem rumo.

Me sentia muito incomodada com aquele negócio lá dentro, sem objetivo, sem alvo. Sentimentos a gente não consegue extinguir, eles são independentes da nossa vontade e desaparecem quando bem entendem. Daí a minha encanação com aquele resto.

Um dia veio a idéia: Já que não consigo dar cabo dele, vou soltá-lo. E resolvi deixá-lo com a Providência, que saberá tomar conta dele e que não ficará incomodada como eu fico.

A Providência é a grande dama que faz o mundo rodar.

Juntamente com o tempo, ela que se encarrega dos acontecimentos, coincidências, sinais, e faz tudo na hora certa. Ela que garante a segurança dos pobres mortais ao longo da existência. Portanto, penso que a minha decisão não poderia ter sido melhor.

O resto está com ela, e ela fará o que bem entender com ele. Não me sinto mais culpada por não dar algum objetivo para o afeto apagado. E, se por acaso ele agonizar e morrer, não será minha responsabilidade. Caberá à grande dama decidir o destino dele.

Tô legal de ficar com essas coisas semi-mortas dentro de mim.

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*Renato Russo

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