O que resta? O que resta é resto, fim da viagem.

O que resta é escasso, semi-morto, agoniza. O que resta? Não dá prá ser muito bem entendido, apenas existe, quase terminado.

Resta algo bom, talvez fragilizado, mutilado. Resta um afeto apagado, uma ilusão vazia, uma árvore seca. Planta morta, sem água.

Um dia foi viva, foi vida, pulsava, arfava, arquejante. Era inteira, era luz, era morna, aquecia. Às vezes feria; às vezes incomodava, de tão rápido que crescia e precisava de espaço maior que o do coração em que habitava.

Até que um dia, a verdade revelou-se, e a verdade acreditada era mentira, era engodo, era fruto de um ego inflado, ego frágil, coração partido querendo ser colado às custas do rompimento de outro coração. A luz rosa e incandescente que saía do meio do peito encontrava o outro peito e morria, não voltava. Não havia a tal da reciprocidade, nunca houve.

E foi aí que tudo acabou, e que restou o resto.

O resto, a poeira do que um dia foi vivo.

Foi concreto.

Foi forte, brilhante, feliz, mas que foi construído em cima de nada.

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