Porque teve de ser assim, atropelando tudo, a minha mente que estava pacífica e contemplativa? Continua contemplativa, porém agora contempla apenas um objeto, e se inspira e tira sua felicidade deste objeto apenas, de nada mais. A natureza, o céu, as pessoas queridas, ganham cor ou se desbotam dependendo de uma manifestação sua para mim, ou da não consciência da minha presença da sua parte. “Veio até mim… quem deixou me olhar assim? Não pediu minha permissão”.

Coisas que a gente não controla, e que aparecem quando menos se espera, e que machucam quando se pensa que se está curado, e que nos levam ao êxtase e depois à depressão, e novamente ao êxtase numa dança que embriaga e nos tira da realidade… E que esforço que a gente faz para retornar à ela, porém, doce ilusão, a realidade já está afetada pelo sentimento que aperta e sufoca o nosso ser e que nos prende nessa dança interminável. “Não pude evitar… tirou meu ar, fiquei sem chão”.

E agora, dou isso para quem, me dôo para quem, se você não quer? O que fazer com essa coisa linda que transborda, que é imensa na sua intensidade, que é doce na sua força, que é triste na sua imobilidade, que está presa, que dói, que me fere por saber que é tão perfeita e não está com você, dentro de você, te cuidando, te protegendo, te fazendo feliz? Essa coisa linda contenta-se com migalhas. “É tudo o que eu posso lhe adiantar… o que é um beijo se eu posso ter teu olhar?”.

Contenta-se, mas não se conforma.

k + Céu

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