Existem coisas que a gente vê e se pergunta o por que de ter visto. “Poderia morrer sem essa”, a gente pensa.

Sou claustrofóbica, odeio metrô na hora do rush. Mas hoje fiquei com minhas amigas no rolezinho depois do serviço e acabei voltando prá casa com elas, de metrô, às 6 horas da tarde. Beleza.

Super tensa, lá fui eu, procurando me distrair. Conversa vai, conversa vem, foi tudo tranquilo. Aí tive o desprazer de sentar-me ao lado de uma mulher ignorante e fedida, que fazia sua filha de menos de dois anos ficar em pé ao lado dela, chorando, implorando colo. E a mulher repetia: “Você não me deixou dormir, agora não vai dormir também”, como se a criança entendesse o que ela dizia, e como se ela mesma fosse uma criança birrenta.

A bebê chama-se Carol. Fiquei sabendo porque a mulher olhava para a filha que berrava e ficava repetindo baixinho: “Morra, Carol, morra”.

Quando o trem se aproximou da estação em que a mulher desceria, ela pôs a bebê no colo, que, exausta, dormiu instantaneamente. Porém a infeliz não encostou a menina no peito, ficava segurando-a como uma boneca, apenas para a criança não cair do seu colo enquanto o trem freava.

Depois de descer do trem, a mulher colocou a bebê no chão para andar, e subir junto com ela, de mãos dadas, a escada rolante. Menos de dois anos essa criança tem.

Até esqueci da minha claustrofobia. Puta mundo do cão.

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