Entardecia no café.

Questionada sobre o porquê de rodar a banca, a pessoa, que era tida como superficial e inconsequente, respondeu:

É a minha busca incessante pela pessoa que eu perdi. Sei que é horrível admitir isso, mas não consigo me livrar dela. Já faz um tempo que terminamos, mas ela ainda não saiu do meu organismo e da minha alma. Procuro o rosto, o corpo e a essência do meu amor em cada pessoa que eu beijo. Isso machuca demais, pois só me traz insatisfação e frustração, mas fazer o quê? Quem me dera um dia poder acordar dessa prisão, poder ver as pessoas como elas são, sem tentar encaixá-las no padrão do meu amor. Sei que deve existir por aí alguém que me dê muito mais do que ela me deu, e não necessariamente seja parecido com ela, às vezes pode ser uma pessoa completamente diferente dela. Mas por enquanto não tem jeito, vou procurando pelo meu amor até o dia em que o sentimento se enfraquecer e me deixar em paz. Espero que não demore muito. Queria poder sangrar tudo de uma vez, mas é uma hemorragia lenta e dolorida. Está sendo um período muito difícil para mim.

A chuva caía forte lá fora. As luzes já se acendiam, estava escurecendo. A pessoa olhou pela janela, os olhos marejados, uma vontade louca de beijar alguém, abraçar, sentir-se amada.

E então a pessoa nunca mais foi alvo de comentários maldosos e fofocas. O que todos conheciam era apenas a ponta do iceberg.

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