A (de joelhos) – Quer saber o que houve?

B – Quero.

A – O que eu ganho em troca?

B – Você está abusando da sorte. Eu não o matei, você não acha que já está de bom tamanho?

A – Hahaha. Eu permaneço com vida até acabar de contar, depois você atira em mim. Não… eu quero algo em troca.

B – Está bem. Diga o que quer, e rápido.

A – Descarregue o revólver.

B – O que…

A – DESCARREGUE!

B (Agachando) – Não grite comigo… ou eu estouro seus joelhos!!! Te torturo lentamente até me contar!

A – Descarregue a arma. Atire as balas bem longe, todas. Na minha frente.

B – Está bem.

A – Ai… aiaiaiaiaiaiai!!!

B – O que foi???

A – Aaaaaaaaaaaa!!!

B – O que está havendo? Se você estiver blefando…

A (ofegante) – N… não… estou! Não estou!

B – Me diga agora o que está acontecendo ou não descarregarei a arma!!!

A – Eu… eu tenho… um aneurisma. Está cada dia pior. Preciso… das minhas pílulas!

B – Onde estão?

A (ofegante)

B – ONDE ESTÃO?

A – Es… estão na minha maleta. Ali (apontando), você jogou ali…

B – NÃO SE MEXA! Se você estiver blefando…

A – AAAAAAAAAAAAA!!!

B (andando de costas) – Nem um movimento!!! (abre a maleta)

A – O vidro azul… o azul…

B – Aqui… azul.

A – R… rápido, rápido…

B – Aqui, aqui está!

A (tomando um comprimido) – Ah… agora sim. (respirando fundo)

B – Vamos, agora diga.

A – Descarregue a arma.

B – Pronto… (descarregando) pronto. Diga!!! O que aconteceu???

A – Lembra daquela vez, em Xangai, quando a gangue dos Homens-Dragão…

B – Sim, sim! Eles destruíram a sede da Organização…

A (ofegante) …E pouparam duas vidas.

BUma vida. A minha.

A – Isso é o que você pensa. Na verdade, outra pessoa sobreviveu.

B (estupefato) – O q… quê??? Outra pessoa sobreviveu? (segurando A pela gola) Quem? QUEM???

A – Ah… ah… aaaaaaaaaaaaargh!!!

B – O que foi??? O que foi???

A (contorcendo-se no chão) – AAAAARGH!!! Ah, como dói!!! Vai estourar, meu peito… vai estourar!!!

B – O QUE FOI DESSA VEZ??? Você está brincando, está brincando, eu vou te matar!!!

A (chorando) Não!!! Não, por favor, não me mate!!! Eu sofro de angina, o remédio… está na p-pasta… por favor me ajude!!!

B – VOCÊ ESTÁ BRINCANDO, SEU MALDITO FILHO DA MÃE!!! (sai à procura das balas)

A – NÃÃÃÃÃO, POR FAVOR, EU ESTOU DIZENDO A VERDADE!!! Olhe… dentro… DENTRO DA PASTA! Há… um… atestado do médico… você não pode me matar, nunca descobrirá se me matar!!!

B (retornando e esganando A) – Se você estiver mentindo… eu não te mato, mas te deixo inútil, está ouvindo??? VAI DESEJAR TER MORRIDO!

A – Argh… solte-me…

B (dirigindo-se à maleta) Onde está esse papel, onde está???

A – Aí, aí na frente!!! Timbrado…

B (lendo) – Não acredito, seu desgraçado. Angina e aneurisma… o que você ainda faz respirando???

A – O… remédio… por favor… o vidro amarelo… aaaaaargh!

B – Aqui, aqui!!! Tome logo essa porcaria!!!

A (passados dois minutos) – Ah… está bem, está bem. (grande suspiro) Duas pessoas sobreviv…

B – Sim, sim! Quem, QUEM SOBREVIVEU?

A – Nikito.

B – NIKITO??? NÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!! Não, não pode ser!!!

A – Sim. Ele fugiu, incógnito.

B – Toda aquela gente que eu matei… por ele!!! E ele estava vivo… MAS POR QUE NÃO VEIO ATÉ MIM, POR QUÊ??? ONDE ELE ESTÁ AGORA???

A – Não parece óbvio o porquê de não ter ido até você???

B – O segredo…

A – Sim, ele tem o segredo. Por isso fugiu.

B (ajoelhando) – Nikito… por quê??? POR QUE, MEU DEUS??? Onde ele está, ONDE???

A – Ele foi… AAAAAAAAAAAIII!!! AAAAAAAIIIII!!! Argh! ARGH! OH DEUS!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH!!!

B – Não, não, NÃO, O QUE FOI??? O QUE FOI??? (histérico)

A – Argh! (contorcendo-se muito) Ajude-me! AJUDE-ME, POR FAVOR!!!

B – DIGA O QUE FOI DESSA VEZ!!!

A – Ga…ga…

B – GA O QUE??? FALE!!!

A – Ga… gases!

B – GASES???!!!

A – S… sim… gases!!! Oh, me ajude!

B – VÁ PARA O INFERNO!!! (esgana A até a morte) MORRA!!! MORRA, SEU CONDENADO DE MERDA!!! FODA-SE O NIKITO!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

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