Vivo outono, mas é inverno que quero,
O cinza úmido das rajadas geladas na cara;
O azul seco do céu brilhante ensolarado.

Sentir-me vulnerável perante o frio,
Olhos cheios de lágrimas provocadas pelo vento forte,
Alguma dor e a vontade louca de estar em casa quente.

Dias mais curtos, mais tempo de escuridão ao redor,
Fins de tarde em tons de chumbo, ou azul marinho pontilhado de estrelas,
A brisa fria e a saudade de outros tempos escuros.

Frio, galhos sem folhas e coisas semi-mortas,
O inverno é das estações a que mais condiz com as pessoas de hoje:
Distantes, geladas, cortantes, cinzentas.

… Prá onde foi tudo aquilo?

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Um ser saiu do seu casulo. Saiu daquele ambiente quente e pegajoso que era seu mundo.
Já houve muitos casulos antes. Eles surgem em volta do ser quando o mesmo é afligido pelas agressões externas: Aquelas que rasgam sua pele e deixam sua carne exposta, tornando o ser numa grande chaga purulenta, ninho de parasitas que crescem, devorando o pus e a carne desse ser.

Então o ser forma o casulo e se regenera.

A saída nunca é suave; afinal, depois de um tempo, o ser acostuma-se com o calor do receptáculo que ele mesmo criou. Porém, ela faz-se necessária ao final do ciclo: o casulo torna-se pequeno para o ser.

Logo após sua saída, o ser foi impelido a desbravar o mundo que antes conhecia: Este sofreu algumas alterações, era preciso conhecê-las. E então o ser ocupou-se em explorar o desconhecido. E assim, algum tempo passou.

Um dia, o ser sentiu-se atraído por uma estranha energia. Ele a seguiu e descobriu que ela pertencia a um outro ser, um ente, que percebeu ser fascinante. E esse fascínio ocorreu porque o ser via no ente muita coisa dele mesmo.

O ser descobriu que não é só a sua existência que era inconstante: A existência do ente também era.

Às vezes o ente tornava-se maior do que o ser, e às vezes mostrava-se mais frágil; em alguns momentos era denso e completo, e em outros nebuloso e confuso.

Quando o ser e o ente eram iguais, tornavam-se algo muito maior do que eram quando sós; quando o ser era inferior ao ente, este oferecia sua grandiosidade e havia troca; quando o ser era superior ao ente, protegia-o e outra vez havia troca.

A distância entre o ser e o ente tornava-se cada vez menor. Ficou tão pequena que o ser viu que aquilo que era emanado do ente não era emanado do seu interior. Viu que o ente, na verdade, era algo escuro e sem vida. O que era emanado vinha da superfície, era energia dissimulada. Cheirava mal, era algo podre e asqueroso.

Porém o ser já estava tão próximo que não conseguia mais escapar.

O ente envolvera o ser com seus tentáculos. As ventosas sugavam a energia do ser, que jazia abandonado e indefeso. O veneno das ventosas não causava dor ao ser, muito pelo contrário: sentia um prazer delicioso.

Quando acabou de sugar a energia do ser, deixando-o semi-morto, o ente passou a devorar-lhe o corpo. Inicialmente a pele foi sendo retirada aos poucos, expondo a carne nova, brilhante e indefesa; antes de consumir também a carne, o ente depositou nela toda a sua prole: larvas inquietas e famintas, que cresciam rapidamente e ajudavam a desaparecer com a carne do ser.

Suas entranhas saltaram. O ser, totalmente exposto e vulnerável, começava a perceber o que era feito da sua matéria, mas era tarde demais.

Após saciar-se, o ente deixou o que restou do ser e saiu à procura de outra energia e matéria para se alimentar. Sua aparência era horrenda, porém medíocre. Era a soma de tudo o que havia de mais repugnante e diminuto, e ao mesmo tempo em que era diminuto era imenso em sua mediocridade.

Os restos do ser só tinham força para fazer uma coisa: Construir mais um casulo para sua auto-regeneração.

Os medíocres muitas vezes se vestem de grandeza. E eles realmente podem ser grandes, poderosos e fascinantes em alguns aspectos… Mas sempre serão medíocres: Simplesmente iguais a tantos outros medíocres que parasitam os seres que possuem alguma luz.

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Eu digo não.
Eu nego o que não me apetece.
Não, e pronto.
Não tenho vontade.

O não, assim como o sim, podem dizer – ou não – a verdade.
Meu não é verdadeiro.
É não ao que não acrescente. Ao que não faz bem.
Simples. Direto.

Poderia dar mil voltas,
Encher linguiça,
Tentar agradar porque eu gosto,
Mas AAAAHH… não.

Digo não e continuo positiva.
O não não é prova de desamor
É um direito meu.
Não é complicado como pintam.

Sem medo e com amor o não tem muito poder.

k

Decep(a)ção
(Texto melhorado – original de 2010)

Ah… a decepção…

Sempre esperamos dos outros, né? Não tem jeito…

Esperamos o que fazemos. Se somos “bons”, esperamos que nos façam o mesmo. Se somos “maus”, esperamos também a “maldade”.

Mas e quando somos “bons” e recebemos o “mal” em troca?

Aí fico com aquela: “Tudo acontece por uma razão.” ou “Nada é por acaso.”

Mas que dá uma raiva danada, isso dá! HA-HA-HA!!!

Então fico com a outra: “Independente do que lhe façam, não mude a sua natureza.”

Não vou mudar não. Continuarei me apegando, sendo intensa e mergulhando de cabeça.

Não, sério: Espero aprender a lidar com a minha personalidade intensa. A lidar com as consequências da minha intensidade.

E quem está me ensinando? Sim, todos os envolvidos! Todos os objetos da minha intensidade, sejam eles pessoas, coisas, animais, circunstâncias, lugares, etc.

Por isso, raivas e revoltas à parte, agradeço por todas as lições aprendidas até agora. Sim, sou – e devo ser – muito grata a tudo e a todos.

Raiva, revolta, ciúme, são sentimentos resultantes de ego ferido. E querer me livrar do ego… Aí já é um pouco demais, pelo menos agora (meu nome do meio não é Sidarta!). Mas, no fundo, livre do ego, sou imensamente grata.

Não guardo rancor, não sou disso (óbvio que os ânimos precisam estar frios hehe – mas eles sempre esfriam!).

Procuro seguir esta premissa: Todo mundo presta e ninguém presta nessa vida. Ninguém é perfeito e todo mundo escorrega de vez em quando. Todos nós.

Mas existem os que TENTAM fazer diferente. Os que não se deixam levar pelo momento, pelas circunstâncias, pelas substâncias. Existe quem pelo menos TENTA dosar as consequencias dos seus atos.

Existem sim os que conseguem sair das porras de pedestais em que se colocam a si mesmos e procuram não julgar… porque sim, todos somos imperfeitos! Porque, mais importante do que dosar as consequencias, é saber que em algum momento você também errou, como o outro erra agora!

Portanto, FELICIDADE PARA TODOS! APRENDIZADOS ASSIMILADOS PARA TODOS!

E, pelo menos da minha parte, amizade sempre. Não aquela falsa, que fica alisando, apertando, querendo agradar a todo custo, abrindo as pernas, baixando a cabeça para tudo que o outro faz.

Não! A minha amizade é aquela que entende que todos somos uns merdinhas e que quando tem que descer o cacete, desce bonito – mas que também sabe receber umas cacetadas.

E que se esforça para não julgar, muito menos condenar. É a amizade de uma pessoa ciente de que muitas vezes escorrega, que não é e nem pretende ser superior. Que, por se esforçar tanto por entender as razões dos outros, acaba por vezes se esquecendo das suas próprias.

“No one said it would be easy / No one thought it would come this far”. – não lembro

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Machismo: Deplorável.

 

Feminismo: Lamentável.

Repudie os dois e estará fazendo um favor a si mesmo e à sociedade.

O mundo não precisa desses extremos.

k

Mesmo depois de quase 33 anos ainda me surpreendo com a minha idiotice ;-)

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Mantendo a dignidade. Ou não?

Afinal da minha vida cuido eu (bem mal, inclusive).

*

Enfrento uma luta diária com certas vontades.
Vontades essas que não cabem na conjunção atual.
Falando em conjunção…
Melhor não.

*

Impressionante como o que a gente pede vem até nós.
Vem sim! Não adianta discordar porque vem!
Daí você pode argumentar: Pois é, mas não veio exatamente como eu pedi!
Aaah, veio sim. O que acontece é que nem a gente sabe exatamente o que a gente manda pro Universo.

Na verdade, eu até sei. Eu sei, lá no fundo eu sei. Tô em processo de conhecer meus demônios internos. Descobri que mesmo que eu entre em contato com eles, não preciso me deixar dominar pelos mesmos. Tipo ter a maior curiosidade de saber como seria matar uma pessoa, mas jamais ter coragem de fazer.

Esse era o meu medo: Será que vou ficar revoltada quando começar a descobrir o meu lado negro? Pois é, nem fiquei. Pelo contrário: Isso dá força. Mas não me interprete mal, é a força que vem do conhecimento, e não da “maldade”.

*

A pior merda nos dias de hoje é fazer algo que demonstre fraqueza. Pior que não é a fraqueza propriamente dita, literalmente falando, mas sim o que os outros encaram como fraqueza.

Porque hoje em dia você se desarmar, admitir seus erros, abaixar a cabeça por uns momentos, não brigar por tudo, é ser fraco.

Daí que você SABE que esse tipo de coisa não é algo que todos acreditam que é. E então você encena toda uma VIDA a partir de coisas nas quais você não acredita, mas a sociedade sim.

E daí que você começa a imaginar: Porra, deve ter mais gente que pensa como eu! O mundo não é essa merda toda que eu sempre imaginei que fosse!

E daí que você conhece alguém que você ACHA que pensa como você, vai lá e tira suas máscaras, e quando você vê… tá lá o indivíduo te achando um bosta.

*

Eu juro, juro mesmo que se eu soubesse, se tivesse um tiquinho só a mais de certeza, eu… Ah, foda-se. Nada é muito certo nessa vida. Nem certo de certeza, nem certo de correto.

É que sei lá, tem algumas coisas que eu prezo, tipo lealdade. E o sentimento de lealdade é algo do lado bom, por mais que o objeto da sua lealdade seja mau.

Então eu espero essa lealdade das pessoas. Posso parecer superficial, falsa, mas sou exatamente o contrário (isso é tudo auto-defesa). E é foda, porque pode parecer que eu estou apenas curtindo a superfície da água, quando na verdade eu já mergulhei tão fundo no mar que começo a sentir a pressão querendo fazer a minha pessoa explodir.

Acho que seria mais fácil e rápido eu ter escrito “AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!”, ao invés de detalhar esses pensamentos que martelam na cabeça.

É que às vezes eu gosto de fuçar nas coisas.

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1 – Pessoa olha no espelho e decide que TEM DE cortar o cabelo.

SAP – Cansada da vidinha tediosa, vai mudar algo como se isso fosse mudar sua personalidade, o mundo, etc.

 

2 – Pessoa corta o cabelo e fica uma MERDA.

SAP – Sua imbecil, olha o que você fez, AND sua vida vai continuar a mesma coisa.

 

3 – Pessoa descobre da pior maneira que é preguiçosa demais em relação ao que deseja mudar.

SAP – Vê se agora você aprende. Grandes mudanças, grandes atitudes. Sua otária.

 

Aren’t we all??

k

Conversa entre o Pedro e a minha mãe -

PEDRO: Vó, eu tenho tanto dinheiro, eu preciso de uma carteira pra guardar!
MÃE: E eu não tenho nenhuma pra te dar…

Fortuna.

 

PEDRO: Ah, eu tenho uma, está no meio dos brinquedos!
Colocou o “dinheiro” em uma das divisões da carteira.
PEDRO: Vó, prá que serve isso aqui? – apontando para o compartimento de plástico.
MÃE: Não tenho ideia.
PEDRO: E esse aqui? – a outra divisória.
MÃE: Aqui a pessoa pode colocar os cartões.
PEDRO: Mas eu não tenho cartão, quero um… Vou fazer! Me empresta o seu, vó!

Internacional.

Recheada.

Não acredito… rsrsrsrs

k

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